sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Liberdade Religiosa em Israel

Não sei porque as pessoas misturam tanto o país ter uma religião oficial com a ideia de que no país não há liberdade religiosa.

Embora a maior parte dos países do mundo não tenham uma religião oficial, todos ou quase todos, são construídos em cima de conceitos religiosos. Eu não consigo enxergar nenhum país cuja a cultura inicial não tenha sido forjada em cima de uma religião.

Por exemplo, Brasil, Portugal, Espanha não possuem uma religião oficial, todos têm liberdade religiosa, mas são países de cultura essencialmente católica, o mesmo acontece com os EUA, cuja a cultura e tradições são baseadas no protestantismo (pelo menos na forma deles de serem protestantes, não discutam comigo porque eu não faço a menor distinção entre as denominações evangélicas).

E é com base nessas religiões que teoricamente não são oficiais que os países fazem seus feriados, constroem seus valores e redigem suas leis. Se não fosse isso, qual seria a explicação de ser feriado no Natal ou na Páscoa em quase todos os países de tradição cristã?

Existe país laico (sem religião oficial), mas não existe cultura laica, essa é a verdade.

O mesmo ocorre com Israel. Toda cultura israelense tem origem no judaísmo, todos os feriados nacionais são baseados no judaísmo e do mesmo jeito também aqui existe liberdade religiosa. A única diferença é que aqui em Israel o judaísmo é a religião oficial do país e isso não muda, nem interfere em nada na vida de ninguém.

Prova disso, está em todas as Igrejas (Católicas e Evangélicas), Mesquitas, Centros Budistas, Espíritas, Bahaii entre outras formas de manifestações religiosas existentes em Israel.

Todas são abraçadas e protegidas pelo Estado e, embora só seja feriado oficial nos feriados judaicos, se você pertencer a outra religião te é permitido tirar seus dias de folga de acordo com os preceitos da religião que você pratica.

Eu filmei um vídeo aqui em Nazaré que mostra a oração de sexta-feira dos muçulmanos em plena praça, em frente à Mesquita deles para vocês conseguirem perceber o quanto isso é tranquilo em Israel:


E para os que me acusam de não ter religião ou de não acreditar em Deus. Sim, eu tenho religião e sim eu acredito em Deus. Eu apenas não sou evangélica (como muitos acham que eu tenho que ser) e embora seja judia do ponto de vista genético/étnico não pratico o judaísmo.

Gosto das tradições judaicas, do ponto de vista cultural, guardo algumas tradições, mas não sigo o judaísmo como religião.

Porém, como hoje é o terceiro dia do Hanukkah,que é umas das tradições judaicas que eu guardo, aproveito para compartilhar a foto do meu Hanukkiah (candelabro de 9 braços) com vocês:

!חג חנוכה שמח (Hag Hanuká Sameach!) - Feliz Hanuká!


quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Hebraico: Método de Estudo

Primeiramente é preciso entender que antes de querer aprender hebraico você precisa querer estudar hebraico. Eu vejo muita gente com vontade de aprender um idioma, mas vejo muito pouca gente disposta a estudar esse mesmo idioma.

Coloque uma coisa na sua cabeça:

Estudar é sacrificar um momento da sua vida não saber é sacrificar todos.

Estudar não é milagre e não é mágica, não tem caminho fácil nem indolor. Quanto mais fácil o caminho, menos você aprende. Claro que existem métodos de estudo, mas não existem métodos para driblar o estudo.

Dito isso, vamos falar de hebraico:

Apesar do hebraico ser mais complexo do que a maioria dos outros idiomas, os métodos de estudo são basicamente os mesmos de quem estuda qualquer outra língua.

E para dizer a verdade só existe uma fórmula para se estudar qualquer coisa na vida:

Disciplina + Dedicação = Resultado

Eu não conheço outra fórmula.

Antes de mais nada selecione seu material de estudo. Infelizmente, em hebraico o que há de melhor (ou menos pior) está em inglês, não conheço nada de qualidade em português. Então, se você não fala inglês, talvez devesse pensar primeiro em aprender inglês para depois pensar em aprender hebraico.

A verdade é que tirando as primeiras explicações, idioma se aprende direto no idioma que se está estudando. Quem já fez curso de inglês ou espanhol sabe que em sala de aula se fala no idioma estrangeiro o tempo inteiro do início ao fim. Se você estudou em algum curso que não era assim, lamento, você foi enrolado. E é exatamente por isso que é impossível aprender um idioma sem aprender a ler e escrever naquele idioma, você não irá muito longe sem leitura, assim sendo:


>Para quem está do zero:

Eu chamaria esse primeiro momento de pré-básico:

1- Aprenda os sons que existem em hebraico. Na verdade para qualquer idioma o primeiro passo é sempre estudar/conhecer os sons das letras. Nem todos os sons que existem em português existem em hebraico e vice-versa;

2- Decore o alfabeto. Sei que o alfabeto hebraico assusta, mas isso é puramente psicológico, na verdade quando se aprende um outro idioma sempre é necessário aprender um outro alfabeto, até mesmo em Inglês. O "desenho" das letras pode ser o mesmo, mas os sons são completamente diferentes e é necessário aprendê-los para falar o idioma que se está estudando. A diferença é que no hebraico você precisa aprender os sons e associá-lo a um novo "desenho" de letra;

3-Num primeiro momento, procure conhecer frases básicas e os verbos mais usuais no dia a dia. Isso vai te ajudar a ter um primeiro contato com o idioma;

4- Procure estudar gramática e entender a estrutura do idioma desde o início. Sobretudo, procure conhecer os grupos e tempos verbais eles serão a chave de todo o resto do seu aprendizado.

5- Estude pelo menos 20 minutos por dia, no começo você não vai conseguir passar disso mesmo e é sempre melhor a regularidade do que a quantidade;

6- Se puder vir estudar em Israel, venha, mas tenha em mente uma coisa: Idioma não é radioativo, estar aqui não fará você aprender nada automaticamente. Idioma requer estudo e hebraico requer três vezes mais estudo do que seria necessário para estudar uma língua ocidental.

>Para quem já passou do zero e está no básico - Aquele momento que você sabe um monte de coisa, mas não consegue ler, falar, nem entender nada do que é dito.

Diferente da grande maioria dos idiomas, em hebraico se faz necessário aprender um monte de coisa para então você saber que não sabe nada, mas já está apto a começar a aprender o idioma. infelizmente isso é verdade!

O hebraico é um idioma que te ensina a ter todas as virtudes do mundo: Paciência, humildade, tolerância com você mesmo etc.

1- Esqueça os pontos, eles não existem no idioma, eles são apenas um auxilio de alfabetização, funcionam mais ou menos como a nossa separação de sílabas;

2- Conheça as raízes das palavras, tudo em hebraico é baseado nisso, inclusive os dicionários. Você não vai encontrar verbos no infinitivo no dicionário, você os encontrará na terceira pessoa do passado que é a raiz, a indicação do grupo verbal e o nome do verbo.

3- Conheça bem os grupos verbais. Todo segredo da leitura em hebraico está na estrutura de formação verbal. O hebraico é um idioma em que quase tudo deriva dos verbos e as regras de leitura são baseadas nessa derivação, por isso os pontos são desnecessários, porque para tudo existe regra (regras que precisam ser decoradas). Pode parecer difícil e no começo acho que é mesmo, mas é tudo uma questão de treino. Então treine!!!

Ultrapassada essa fase, que para mim foi a pior de todas, você entra numa fase intermediária avançada. Nesse momento você já vai ler com bastante fluência, já terá um bom domínio de vocabulário e talvez só tenha dificuldade para falar ainda, que é realmente a coisa mais difícil em hebraico (pelo menos eu achei).

O hebraico tem uma "mágica" que a palavra que você conhece você entende, não é difícil entender as pessoas falando. E toda a construção do israelense é muito lógica e muito repetitiva o que facilita muito as coisas.

>Nessa fase, que eu chamaria de consolidação, eu aconselho:

1-Fale o máximo possível, nem que seja sozinho, aliás principalmente sozinho. Construa seus pensamentos em hebraico. aproveite o tempo que você não estiver fazendo nada para traduzir seus pensamentos, no começo é um esforço depois se torna um bom vício. Anote as palavras que você não sabe para checar depois. Se você não tem um hobby adote esse. Ao menos é de graça!

2 Ouça muito rádio, assista TV e vídeos em hebraico, de preferência com legenda em hebraico. Se possível passe todos os seus aparelhos eletrônicos e redes sociais para o hebraico.

3- Identifique seus pontos fracos e tente trabalhar só eles. Se for leitura, jornais e sites de notícia são a melhor opção, porque tem uma linguagem bem acessível. Em último caso, tente os livros infato-juvenis (voltados para crianças de 10 a 12 anos mais ou menos), eles ainda tem pontos e costumam ter histórias conhecidas e que não são tão infantis.

Esses são os dois únicos livros com pontos que eu tenho. Eu usei para agilizar a leitura, mas o jornal funcionou melhor, mesmo sem os pontos. 
Sei que muita gente gosta de assistir desenhos no começo, mas pela minha experiência, embora eles tenham uma pronúncia muito limpa, muitas vezes eles falam de coisas muito fora da realidade, fora do dia a dia, o que os torna muito difíceis de serem entendidos numa fase em que nem tudo ainda está firme na sua cabeça.

Música até pode ser legal, mas às vezes é preciso saber o quanto da música você está entendo e o quanto você já decorou dela. Se você conseguir ser sincero com você mesmo, acho que a música pode sim ser um bom apoio.

Sobre material didático e sobre como eu aprendi hebraico eu já falei aqui.


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