sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Clima em Israel em Função da Questão com a Síria

Sabe o que mais me chateia com relação à mídia internacional?

É que eles me obrigam a escrever sobre coisas que não existem (pelo menos não existem ainda!!!).

Não existe clima de guerra nenhum em Israel.

Israel distribui máscara para a população de maneira regular e essa "multidão correndo desesperada para pegar suas máscaras" na verdade (em sua grande maioria) são pessoas que já deveriam ter suas máscaras em casa empoeirando como a minha está há dois anos.

Inclusive eu postei o vídeo da máscara quando eu recebi a minha, basta procurar lá no canal do youtube.

Ninguém disse que seja impossível que Israel entre em guerra com a Síria ou com qualquer país que seja, o que eu digo e repito é, a chance de que algo de verdade venha a acontecer neste país e com a população civil é perto de zero.

Para quem ainda não entendeu, a história de Israel com a Síria é a seguinte:

A Síria vive um clima de caos fazendo uso inclusive de armas químicas contra a população civil e os EUA vão, possivelmente, intervir militarmente lá. O que ocorre é que a Síria ameaça retaliar Israel caso isto de fato aconteça e, como é óbvio Israel irá responder. Em resumo essa é a história.
O grande clima em Israel hoje é de preparação para o Rosh Hashanah, ano novo judaico, que será na semana que vem.

Só para que não reste dúvida, hoje é sexta-feira, início de Shabat, e eu filmei um vídeo aqui na minha rua para vocês verem o "clima de desespero" que está instalando no país. 

Assistam o vídeo, aproveitem e se inscrevam no canal que mais vídeos vem por aí:






sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Vantagens de Se Viver em Israel

Enumerar as vantagens de se viver aqui é com certeza bem mais fácil do que elencar as Desvantagens de se viver em Israel. O difícil neste post é limitar essa lista a poucos itens.

Segurança - Indiscutivelmente a maior e melhor qualidade de Israel. E é meio auto-explicativo. Não tem preço viver e se deslocar para qualquer lugar a qualquer hora do dia ou  da noite, sem risco algum de roubo, assalto, sequestro relâmpago ou qualquer outro tipo de violência. Violência urbana ainda é algo praticamente inexistente em Israel.

Transporte Público de Qualidade - Ônibus e trens limpos, seguros, revisados, pontuais e com internet wi-fi na maioria deles. Precisa algo mais? Impossível não se apaixonar pelo transporte israelense.

Saúde Pública de Qualidade - Outra coisa que dá muita tranquilidade, saber que não importa o que você tenha ou qual sua situação financeira, você será atendido imediatamente, sobretudo em situações de emergência. Não existe falta de vaga, nem material e nem falta de vergonha na cara.

Apesar de ser um setor que vive fazendo reivindicações/greves, uma vez que também tem os seus problemas. A diferença é que problemas na saúde israelense é um médico trabalhando 2 horas a mais do que deveria ou não conseguir marcar uma consulta em 24 horas, não é uma pessoa que infartou e foi transferida 3 vezes e morreu a caminho do quarto hospital porque ninguém quis ou pode atender, nem uma mãe que vê o filho morrer porque o balão de oxigênio está vazio ou porque o CTI do hospital está em obra há 8 meses. Problema é uma questão conceitual, realidade não.

Educação Pública de Qualidade - Quase 100% das escolas de Israel são públicas. As poucas escolas privadas que existem possuem normalmente alguma característica especial, ou são religiosas, ou são para estrangeiros (tipo escola americana), então por razões óbvias as escolas daqui tem qualidade. Nesse quesito não existe filho de deputado, de ministro, de médico ou faxineiro. Todos frequentam as mesmas escolas e têm acesso ao mesmo tipo de educação. E a escola pública é para todos, mesmo para estrangeiros de passagem por aqui, uma vez que as escolas particulares são extremamente caras. Educação é obrigatória em Israel, a partir dos 5 anos.

Qualidade dos Alimentos - Fiscalização super rigorosa em relação a todo alimento produzido dentro e fora de Israel. Uma das coisas mais sérias desse país. Não estou me referindo a fiscalização religiosa (para obtenção/manutenção do cashrut), mas à vigilância sanitária em si.
Uma coisa bastante curiosa em Israel é que nenhum produto dura tanto tempo quanto no Brasil. Os aditivos químicos e conservantes são muito controlados. Carnes e frangos, quando comprados resfriados, não duram mais do que 3 ou 4 dias na geladeira, mesmo se você os congelar em casa.
Claro que enlatados, congelados e ovos duram bastante, mas carnes, laticínios e frios em geral duram bem menos que o padrão.
Os produtos são sempre muito frescos em Israel. Essa foto foi tirada no Aroma Café

Assistência do Governo - Para quem vem da América do Sul (e nesse caso eu não faço exceção a país nenhum) a sensação de estar ou poder ser amparado pelo governo de maneira real no momento em que se perde um emprego ou num momento difícil pelo qual qualquer pessoa pode passar é realmente muito tranquilizador. Sem entrar muito em detalhes, se não teria que escrever umas 15 páginas, Israel possui um seguro desemprego compatível com o seu salário enquanto você estava empregado por alguns meses, uma série de licenças remuneradas e uma aposentadoria digna e compatível com a sua realidade de vida.

Sem falar em cursos de capacitação ou aprimoramento pagos quase em sua totalidade pelo governo e em assistências temporárias a pessoas em situação temporariamente especial, como Olim por exemplo. Não dá para explicar item por item porque tudo é muito caso a caso e depende de uma série de fatores (como tempo em Israel, tempo em que a pessoa ficou trabalhando sem pedir algum auxílio, se possui filhos, idade, nível de escolaridade, quantas pessoas possuem a família, quantas trabalham etc). Mas na média a assistência prestada é de qualidade.

Estabilidade Financeira do País - É fato que Israel já teve seus problemas econômicos, mas há pelo menos 20 anos é um país bastante estável, economicamente seguro e sustentável , tanto assim que em Israel  a tal crise mundial, bateu na trave, passou raspando e foi embora. Atravessamos firme e seguimos de vento em popa.

Facilidade em se Arrumar emprego - E justamente por causa dessa estabilidade financeira, é muito difícil ficar desempregado em Israel, obviamente, desde que você esteja aqui plenamente legalizado ou tenha nacionalidade israelense. E evidentemente, desde que você tenha reais condições de batalhar pelo emprego ao qual você se propõe. Aceite quem você é (suas qualidades e aptidões ou falta delas) e aí sim, não faltará emprego. Em alguma área, seguramente, você irá encontrar.
Para quem tem dúvidas a respeito desse assunto vale a pena dar uma lida no post: Programa de Imigração e trabalho em Israel.

Não Discriminação em Relação a Quem Nasce Fora de Israel - Entendam bem o tópico. Eu não estou dizendo que não exista discriminação de nenhum tipo em Israel, só se eu fosse louca para fazer uma afirmação dessas. O que não existe é discriminação com relação a quem nasceu em outro país e veio para cá porque tem nacionalidade israelense (ou ao menos direito a ela). Essa pessoa, por essa razão não enfrentará nenhum tipo de discriminação. Israel é um país construído com as mãos e o suor de quem nasceu fora daqui. A grande prova disso está no nosso atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, que é o primeiro da história nascido em Israel, todos os outros nasceram fora, porém obviamente todos tinham direito natural à cidadania israelense.

Não sejamos hipócritas, discriminação é senso comum. Todo mundo sabe que tipo de gente é mais ou menos discriminada em qualquer lugar do mundo e em Israel isto ocorre da mesma forma e pelas mesmas razões.

Se alguém te olhar torto em Israel é porque você tem alguma característica genética ou comportamental que a pessoa não aprova, ponto final, essa é a história. Porém, em Israel, como na maioria dos países civilizados, discriminação é crime, é feio, é politicamente incorreto, logo é algo muito velado, muito discreto, e em regra no dia a dia não se percebe nada.

Nenhum país é perfeito, Israel também não é. Mas sinceramente e apesar de tudo, eu acho que se aproxima bastante da perfeição em termos de qualidade de vida e do que se espera de um país.

Update: Para as pessoas com problemas severos de interpretação de texto:
O Netanyahu foi o primeiro primeiro-ministro a nascer após a criação do Estado de Israel, já que ele nasceu em 1949. Os outros que porventura nasceram na região que hoje é Israel, durante o então Mandato Britânico na Palestina ou ainda durante o Império Turco-Otomano foram pessoas  que nasceram com outras nacionalidades, mas como eu disse acima, tinham direito natural à cidadania israelense (obviamente, depois da criação do Estado de Israel em 1948)..

Dizer que estas pessoas só porque nasceram na região da Palestina eram israelenses é o mesmo que afirmar que os índios tupi-guarani nascidos em 1200, no território que hoje é o Brasil, já eram brasileiros. Por favor, né?

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Desvantagens de Se Viver em Israel

Mais um post desses meio complicados de se fazer, tendo em vista que não dá para fugir do fato de que esse tipo de assunto esbarra e muito no meu ponto vista.

Tanto nesse post quanto no post a respeito das Vantagens de Se Viver em Israel eu não pretendo esgotar o assunto, apenas dar uma visão geral da vida por aqui e deixar claro que a maior parte das "desvantagens" de se viver em Israel se resumem apenas em adaptação, não são propriamente problemas do país.

Custo de Vida Elevado - É difícil falar em custo de vida como um todo, primeiro porque se se estabelecer uma comparação com o Brasil por exemplo, Israel,na média, é mais barato e segundo porque custo de vida é algo muito pessoal, mas é fato que embora os salários acompanhem, o custo de vida em Israel vem subindo nos últimos tempos. Outra coisa que pesa no bolso da gente por aqui é o imposto de renda (מס הכנסה), cujo percentual vai mudando de acordo com o salário, podendo variar de 10% a 50% dependendo do valor do seu salário.

Comércio Fecha Cedo em Israel - Isso não é uma característica só de Israel, mas também da maioria dos países europeus. Infelizmente nós que viemos da América do Sul somos muito mal acostumados com comércios funcionando até 22:00h ou mais quase todos os dias, sem falar nos inúmeros estabelecimentos 24 horas. Não vou dizer que não exista isso em Israel, existe, mas é uma raridade. Eu confesso que eu senti muito isso no começo. Principalmente porque nós tínhamos o péssimo hábito de ir ao supermercado a 1:00 da manhã no Rio de Janeiro. Aqui supermercado vai normalmente até às 20:00 e fim da história.

Shabbat - Eu já disse e repeti muitas vezes aqui que o fato de no Shabbat fechar e parar tudo, inclusive transportes, é algo que eu realmente não gosto em Israel e essa foi uma das razões de eu ter vindo morar no norte, porém eu confesso que hoje isso é algo que já não me incomoda muito. Não vou dizer que ache bom, mas não acho mais nada (primeiro passo para daqui uns dois anos estar achando bom, né? rsrs). De qualquer forma eu já falei sobre isso no post: A Semana Israelense, que foi um dos primeiros posts que eu escrevi, bem lá no comecinho do blog. Tá vendo como a gente se adapta?
Shabbat é um dia mais ou menos assim, na maior parte das cidades israelenses.

Hebraico - Talvez essa seja uma das mais difíceis barreiras a serem transpostas, mas acredite não é impossível. E depois que o hebraico deixa de ser um problema, ele vira seguramente sua maior fonte de orgulho. Eu já falei sobre as dificuldades de se aprender hebraico aqui e sobre como eu aprendi hebraico aqui.

Português perde Proficiência - Isso é uma coisa que eu nunca achei que pudesse acontecer comigo, primeiro porque eu já vinha de uma experiência de morar fora do Brasil, segundo porque a gente tem a falsa ilusão de que porque fomos bem alfabetizados isso será eterno. Pois bem, essa "perda" acontece com todo mundo que se muda para países com idiomas muito diferentes. Você começa a esquecer palavras, nomes de objetos e muitas vezes tem dificuldade para escrever palavras ou construir frases ridiculamente simples. Uma coisa é certa, idiomas estão sempre em transformação, só que no dia a dia não nos damos conta disso, mas isso fica bastante evidente quando depois de 4 ou 5 meses sem ler nada do Brasil você entra num site de notícias ou assiste um programa da TV brasileira, você sofre bastante até conseguir "pegar a conexão" de novo.  Aliás, esse foi um dos motivos que me fez fazer esse blog, colocar obrigatoriamente meu português escrito em prática.

Jeito do Israelense se Comportar - Já falei sobre isso inúmeras vezes aqui no blog e ainda acho que esse é um dos fatores que mais leva à desistência de se permanecer em Israel. Porém, sobre isso eu falei exaustivamente no post: Israelense, O Povo mais Mal Educado do Mundo?

Israel é um País Muito Calmo e Pequeno - Israel é disparado um dos países mais tranquilos do mundo para se viver, o que é uma faca de dois gumes, pois ao passo que isso se reflete em segurança e tranquilidade também se reflete numa vida noturna não muita agitada. É claro e óbvio que tem todo tipo de estabelecimento de entretenimento (bar, boite, shows, cinemas, teatros etc), só que a noite israelense, em regra, termina cedo, mesmo no fim de semana, e segundo, por ser um país pequeno, as ruas e os lugares não tem a agitação e a super lotação que geram aquele famoso "clima de sábado à noite". Na minha opinião, a noite israelense é meio em slow motion, falta adrenalina. Então, para quem vem para Israel atrás de balada, claro que tem e claro que você vai encontrar muitas e em vários estilos, mas não espere nada parecido com o que se vê no Brasil ou na maior parte dos países sul-americanos.

Adaptação à Alimentação - A comida israelense padrão é a comida árabe com um toque mediterrâneo (leia-se humus, falafel, shawarma e muta salada) e eu sei que muita gente acha isso bom e de fato é, por uma ou duas semanas é muito bom, depois você passa por todas as fases normais em períodos de adaptação alimentar: repulsa, negação, ódio, necessidade de aprender a cozinhar o que você gosta e desprezo por tudo que é daqui, aí vem um breve período de serenidade e por fim aceitação e apreço. A verdade é que a gente passa a gostar de quase tudo, até do que achava ruim mesmo, é só uma questão de tempo. Se você não gosta é porque não está aqui tempo suficiente. E com relação à comida só tem dois caminhos ou passa a gostar ou vai embora de Israel e  não adianta dizer que adora comida árabe, que para você não será problema, será sim!!! More aqui 1 ano, depois a gente conversa.

Sirene - A primeira vez que você ouve uma sirene, principalmente se ninguém te diz o que fazer nessas circunstâncias é meio assustador, mas logo você percebe que a sirene tem apenas um impacto psicológico. E três coisas que precisam ser levadas em consideração: Primeiro, isso não é algo que se escute toda hora (dependendo da cidade se ouve um pouco mais, dependendo da cidade não se ouve nunca), segundo ouvir uma sirene é prova inequívoca de que você está protegido e não de que você está em risco e terceiro conta-se nos dedos as vezes em que alguma coisa de fato aconteceu em território israelense. Só para constar, já faz 3 anos que não ouço uma sirene (salvo as sirenes anuais de treinamento, mas essas não contam.), simplesmente porque não acontece nada por aqui.

E só para finalizar, por favor, não saiam por aí repetindo a estupidez e a idiotice de que Israel é um país em conflito, não é!!! Israel pode vir a entrar em guerra um dia? Até pode, assim como a Coréia do Norte com a Coréia do Sul também podem, assim como na época da guerra fria os EUA o e a ex-URSS também poderiam, o que diga-se de passagem nunca aconteceu. E ainda que Israel entre novamente em conflito algum dia a chance de que verdadeiramente isso afete a vida e a saúde dos civis israelenses é muito pequena. Então só para ficar claro, eu não elenco a possibilidade de uma guerra como uma desvantagem de se viver em Israel, simplesmente porque essa possibilidade é absurdamente perto de zero, certo?

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Coisas Estranhas Também Acontecem em Israel

Eu não costumo compartilhar notícias de jornal, mas acho que essa vale pelo inusitado da sittuação.

Ontem, 07/08/13, repentinamente 41 maquinistas ficaram doentes e não foram trabalhar. A "estranha e súbita" doença praticamente paralisou o transporte ferroviário no país.

Israel não depende exclusivamente do trem, ao contrário os ônibus ainda fazem a maior parte do transporte de passageiros,  porém não é desprezível a quantidade de pessoas que conta com os trens para se locomover todos os dias.

Levantou-se todas as possibilidades para essa pouco usual falta coletiva ao trabalho, falaram até que poderia ser por causa de uma determinada partida de futebol que aconteceria ontem.

Mas ao que tudo indica é uma espécie de greve não autorizada ou não programada pelo sindicato. O que eles estão chamando de "greve italiana". Só em Israel e talvez na Itália que os caras fazem uma greve, mas fingem que é outra coisa. rsrs

De fato não é de hoje que eles reclamam das condições de trabalho proposta pela nova administração e do regime de trabalho ao qual estão sendo submetidos.

Para ler a notícia clique aqui ou na foto
 E bem, seja como for a justiça já determinou a volta deles ao trabalho hoje. Os que possuem atestado médico continuarão em casa de licença-médica, os demais deverão retornar ao trabalho hoje à tarde. Vamos ver!!!

*As duas notícias que eu compartilhei estão em hebraico porque não encontrei em inglês, se alguém achar essa notícia em algum outro idioma que não o hebraico, só mandar o link que eu coloco aqui como update. Mas a maioria das pessoas usa tradutor eletrônico para inglês, então não faz diferença usar para ler em hebraico, né? rsrs.



sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Síndromes da Imigração

É fato que existem síndromes oriundas da imigração e como não poderia deixar de ser, sendo Israel um país constituído basicamente por imigrantes, aqui estas síndromes são muito mais exacerbadas e perceptíveis.

Longe de mim escrever um artigo técnico de psicologia, para ler algo mais técnico ou a opinião de um psicólogo, por favor visitem o Tio Google.

Porém, meus anos longe do Brasil me capacitam para escrever sobre aquilo que eu sou capaz de observar.

E uma coisa que não se pode negar é que em todo processo de imigração em paralelo com toda a possibilidade de aprender coisas novas e de adquirir novos hábitos e conceitos também existe o sério risco de se adquirir novas manias e novas "loucuras".

Eu sei que loucura nada mais é que aquilo que a gente supõe que não seja normal e é aí que mora o perigo, porque o fato de estar longe do país onde você nasceu e que portanto reconhece como normal, faz com que se aceite como normalidade tudo que o outro país te apresenta.

Para mim, existem duas "manias" extremamente sérias que atingem uma parcela muito alta dos imigrantes, não apenas em Israel, mas aqui com certeza isso é muito presente que são: o hábito de "catar lixo" e a "amnésia" da imigração.

1- O hábito de "catar lixo".

Isso é tão presente no cotidiano do Israelense, que a maior parte das pessoas deixa objetos ou móveis que não querem mais próximos aos latões de lixo, porém sem descartarem na lixeira.Supostamente isso  é considerado doação. E acreditem, a maior parte das coisas não ficam lá por muitas horas, roupa então às vezes não chega a ficar mais do que alguns minutos.

E não, não são pessoas pobres que pegam essas coisas, são pessoas que trabalham com você, que têm um salário igual ao seu, que muitas vezes pagam um aluguel mais caro que o seu, que tem um iphone, um tablet e o que mais me entristece, é ver brasileiros fazendo isso e achando normal.

Gente, isso nada mais é do carência afetiva, não é por dinheiro. Uma caneca em Israel custa de 5 a 10 shekels em qualquer supermercado e você vê todos os dias pessoas pegando esse tipo de coisa ou batendo na casa do vizinho para perguntar se quer porque ela vai jogar fora. Sem falar que Israel é o país da promoção e é possível comprar quase tudo super barato, só esperar a oportunidade certa (mas, escrevo sobre isso em outro post)

Há uns anos atrás eu vi uma reportagem sobre brasileiros no Japão que afirmava que os japoneses jogavam as coisas fora quase novas e os brasileiros que lá estavam, pegavam essas coisas dizendo que não havia necessidade de descartá-las. Na época eu achei que podia ser, hoje eu sei que isso nada mais era do que Síndrome da Imigração.

Acreditem em 3 coisas, catar lixo não é normal, se está lá é porque está podre de velho, porque israelense só descarta uma coisa quando ela já pertence a outra era e o mais importante, uma caneca velha não vai suprir suas carências emocionais.

A foto é do armário, não é do gato, tá?

Se alguém disser que a camisa está nova eu juro que xingo. rsrs

Como disse uma brasileira, só lavar que o ursinho fica novo.
2- "Amnésia" da Imigração:

E uma outra coisa que ocorre super frequentemente é a pessoa esquecer como é o país dela de origem. Tudo bem que isso é bem menos grave, mas é super frequente pessoas que estão alguns poucos anos fora começarem a enaltecer o Brasil, afirmarem categoricamente que a saúde publica não é tão ruim, que a violência urbana é um exagero, sentem uma falta louca de comer feijão, mas no Brasil comiam a cada 4 anos, sem falar que em Israel tem feijão e sem esquecer de mencionar que vivem por aí agarrados numa bandeira do Brasil. Depois disso começa aquela ladainha ridícula do cheiro do Brasil é diferente, o gosto água é diferente, a cor do céu, enfim é a Suíça pintada de ouro.

E com esse papo de "As aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá" é que ao retornar para o Brasil a maioria descobre a "Síndrome do Regresso", que nada mais é que o choque de descobrir que o Brasil não é uma Aldeia Smurf e que todos os motivos que levaram a pessoa a pensar em emigrar continuam existindo lá.

Portanto, ao imigrar tentem se manter em equilíbrio, porque uma coisa é certa, uma vez que você tenha passado pela experiência da imigração, você nunca mais será o mesmo, tudo muda, você muda, não existe voltar para lugar nenhum, existe imigrar novamente e se readaptar novamente, ainda que seja ao seu país de origem.


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