segunda-feira, 15 de julho de 2013

Administração Pública Israelense

Não é de hoje que eu falo aqui no blog sobre o conceito de "cidadania comunitária" (essa expressão existe?) que o israelense tem.

Talvez por Israel ser um país pequeno, talvez por ser um país construído em cima de ideias comunitárias que são (ou ao menos foram) os kibbutz, faz parte da cultura israelense os eventos com ar de "da comunidade".

Isso se revela em muitas características e atitudes do israelense e eu vou falar sobre isso em outros posts, mas uma coisa que chama atenção é a forma como prefeitos e prefeituras prestam contas a seus cidadãos.

Em todas (ou quase todas) as cidades de Israel existem eventos semanais, mensais, por estação do ano ou até anuais e grande parte disso é promovido pela administração municipal.

Isso inclui de tudo, desde peças de teatro, shows de músicas (muitas vezes com grandes nomes da música israelense), até cursos, esportes e danças fornecidos a baixo custo (ou de graça) pelas prefeituras.

E a forma das prefeituras comunicarem isso, normalmente é através de revistas que chegam até sua casa, normalmente 2 vezes por ano. Geralmente uma com eventos de verão, outra de inverno. Sem contar o "relatório ao cidadão" que todo morador recebe e que fala sobre os gastos da prefeitura, obras na cidade ou na região que irão influir na vida local, novas linhas de ônibus ou novos horários e coisas do gênero.

Para vocês terem uma ideia:

Esse é o relatório ao cidadão 2013, chegou em abril: Esse vem em hebraico e russo, mas também existe a versão em árabe. Na verdade, o idioma é definido quando você se registra nos correios. Eu já falei sobre isso em algum post, mas não custa repetir, em Israel quando você muda de cidade, você precisa alterar seu endereço na identidade e se registrar no correio mais próximo da sua casa.


E essa é uma das revistas da estação, no caso a de verão, que chegou na semana passada, a de inverno sofreu mordidas felinas e não iria ficar muito bonita no post. rsrs

E tirando isso, sempre chega alguma coisa pelo correio, enviado pela prefeitura ou mais raramente pelo governo federal:

Páginas amarelas a menor é a de Nazareth Ilit e a grande da Região Norte, que é a minha região.
 E essa chegou quando tivemos, no ano passado, aquela ameaça de conflito com Gaza. Explica o que fazer em caso de emergência, o mapa abaixo mostra quanto tempo você tem para se abrigar depois do toque da sirene (o que varia de região para região) e também fala de outras coisas, como proceder em caso de terremoto, fornece números de emergência esse tipo de coisa.

Caixa de correio em Israel é isso, pode abrir que sempre tem uma novidade lá, além de contas para pagar, é óbvio.

E antes que alguém pergunte, sim, em Israel tem terremoto!!! não é frequente e nem costuma ser forte, mas não é impossível que você venha a sentir um terremoto por aqui. Nos anos que eu estou aqui, senti apenas um, bem fraco e rápido, coisa de 3 segundos, como foi meu segundo terremoto, não deu nem para rolar uma emoção. rsrs.


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Uma Tradição Construída Sobre Vinhos

Muito pouca gente sabe, mas é praticamente impossível dissociar a história da humanidade do surgimento e consumo do vinho. Para muitas civilizações o vinho é um claro marco de civilização, comunhão e devoção.
Não há religião antiga em que não se faça menção ao vinho e o judaísmo não é exceção.

Supostamente os vinhos apareceram primeiro aqui pelo Oriente Médio ou adjacências. Há uma forte tendência a se acreditar que a palavra hebraica yain (יין) tenha dado origem ao vocábulo vinho na maioria dos idiomas wine em inglês, wein em alemão etc. Pelo menos é o que se diz aqui em Israel.

Os vinhos surgiram provavelmente antes da invenção da escrita, o que é perfeitamente compreensível, afinal de contas primeiro se bebe depois é que se tem histórias para contar, né? rsrs.

Enfim, história à parte, o fato é que Israel produz vinho desde muito antes de se tornar país, as principais vinícolas do país são em sua maioria do final do século XIX e início do XX.

As pessoas têm, não sei porque razão, a ideia de que todo vinho produzido em Israel é doce e destinado ao Kiddush (ritual de consagração religiosa usado por judeus e cristãos), não é nem perto disso.

Apenas 10% dos vinhos israelenses são destinados a isso, o resto é vinho normal e desde o final dos anos 80 figura como um vinho de excelente qualidade no cenário internacional, segundo os especialistas é um vinho comparável, em termos de qualidade aos vinhos californianos.

Então vamos esclarecer as coisas: uma coisa é vinho casher (ou kosher), outra coisa é vinho destinado a Kiddush.



Vinho casher é aquele que atende às normas de cashrut, ou seja, é um vinho que até entrar nos barris é manipulado apenas por pessoas que guardem shabbat e nunca num sábado ou feriado religioso, não é acrescido nenhum tipo de produto animal a estes vinhos (o que faz com que eles sejam muito populares entre os vegetarianos) e todo equipamento ou  material utilizado só pode ser usado em produtos também casher.

Não há nenhuma outra diferença na maneira de fermentar o vinho.

Alguns tipos de vinho produzidos aqui (esses estão entre os melhores do país).
Vinho de kidush é vinho tinto e doce (e obviamente, casher também), normalmente considerado de qualidade inferior (eu gosto, mas sei que para os puristas é considerado ruim).

E engana-se quem pensa que vinho casher só se produz em Israel, grande parte dos vinhos produzidos no mundo é considerada casher. Só que algumas normas para os vinhos produzidos fora de Israel são diferentes, menos rigorosas.

E não, nem todo vinho produzido em Israel é casher. Eu confesso que eu nuca vi vinho israelense que não fosse casher, porém apenas 90% dos vinhos produzidos aqui são casher.

Em Israel há cerca de 250 vinícolas que além de produzirem vinhos, a maior parte delas também é aberta ao publico para degustação de vinhos ou de queijos e vinhos, obviamente mediante pagamento. Não é caro, mas o valor depende dos programas escolhidos.

Um exemplo de como isso é feito:

A Carnel é uma das mais famosas marcas de vinho israelense .


E como o governo incentiva e muito a produção e melhoria da qualidade do vinho nacional, em Israel se produz cerca de 55 milhões de garrafas de vinho por ano, das quais cerca de 38 milhões são destinadas à exportação. Todavia, Israel também importa uma média de 22 milhões de garrafas por ano, apesar do vinho nacional ser considerado muito bom, é forte o consumo de vinho europeu, principalmente espanhol e italiano.

E a grande curiosidade de todos vocês. Vinho é barato em Israel? Sim, vinho é super barato em Israel.

Uma garrafa de vinho de Kiddush fica na faixa de ₪15 a ₪17 shekels (algo como R$ 10,00) e um vinho normal de mesa, tanto nacional como importado fica por volta de ₪30 shekels (aproximadamente R$ 18).

Vinho faz parte da cesta básica do Israelense e barato do jeito que é, impossível não ter em casa, sempre:
A média de consumo de vinho em Israel é de cerca de 8 litros per capita. 


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