quarta-feira, 27 de março de 2013

Pessach, a Páscoa Judaica

Uma breve explicação religiosa, apenas para tentar demonstrar de maneira lógica como são as coisas em Israel e porque são.

A palavra Pessach é a exata tradução da palavra Páscoa que significa passagem. A Páscoa católica simboliza a  passagem de Jesus da morte para a ressurreição e o Pessach é a passagem do povo judeu da escravidão para a vida livre. O Pessach é a festa que relembra a saída do povo judeu do Egito para Israel. Foi nesta ocasião que Moisés teria aberto o Mar Vermelho (Mar Vermelho que hoje fica em Eilat, sul de Israel), justamente para permitir essa travessia. 

Em resumo, como a fuga do Egito ocorreu sem grandes planejamentos não deu tempo para que os pães que eles levariam durante a viagem crescessem (fermentassem ou levedassem), em razão disso, durante o feriado de Pessach não se consome e não se vende nada que contenha algum tipo fermento ou levedura durante todo  período. 

O Pessach é o feriado mais longo de Israel e o que mais altera a vida "normal".

Em teoria o Pessach dura uma semana, porém na semana que antecede o Pessach quase todos os restaurantes fecham, as escolas param duas semanas antes e é uma época em que muita gente costuma tirar férias. 

Durante o Pessach as pessoas tiram todo e qualquer produto que fermente ou contenha algum tipo de fermento de casa. Isso inclui não só pães, massas e bolos, como vários tipos de iogurte, farinhas, queijos, algumas marcas de leite, alguns refrigerantes, sem falar em alguns produtos de higiene e limpeza, como desinfetantes, shampoos, desodorantes e pastas de dente.

Grande parte das pessoas faz uma grande faxina em casa e nas empresas e se retira todos os produtos considerados "proibidos". Até pessoas que não seguem a religião costumam fazer essa faxina em casa, muita gente acredita que traz boa sorte.

Obviamente, os supermercados não jogam os produtos fora, porém eles ficam cobertos e de fato não vendem nenhum produto desses essa época do ano.

Assim ficam os supermercados durante o Pessach: 

Arroz e cereais de milho por serem produtos cujo o consumo é divergente ficam normalmente em prateleiras  isoladas nesta época do ano, distante de outros produtos que se pode consumir sem dúvida.




 Em hebraico a palavra Hametz (חמץ) significa fermentado ou levadado:
Fermentado! Por favor não toque!

Pela tradição Ashkenazi não se pode consumir nenhum tipo de grão ou cereais, já pela tradição sefaradi pode se consumir arroz, milho e alguns outros grãos, porém estes não podem ser cozidos por mais de 18 minutos (após esse tempo considera-se que o alimento fermenta) e também é necessário que estes grãos e cereais tenham sido colhidos há mais de 6 meses, não podem ser grãos novos. 

Portanto, como é muito difícil saber o que pode e o que não pode ser consumido, todo produto "permitido" durante o Pessach possui o selo "casher le pessach", além de frutas e verduras que são liberados e não necessitam de certificação:

O alimento típico do Pessach e que substitui a falta de pão na vida das pessoas é o Matzah, que é uma espécie de biscoito cream cracker gigante e tem o sabor idêntico ao biscoito de água e sal vendido no Brasil:

Esse é o Matzah:
Pacote com 20.

E ele costuma ser vendido em "pequenas" caixas de 1kg, 2kg e 2.5kg, não preciso explicar a razão, né?


Matzah é bom? Bem, eu cresci comendo isso, então eu gosto. Mas acho que para quem prova pela primeira vez deve ser meio sem graça.


E essa caixa não ocupa muito espaço? Olha, sempre tem quem goste, né? rsrs.

E por fim, o Pessach costuma ser um dos períodos mais secos de Israel e costuma ser o momento em que a temperatura começa a esquentar, já que também é o início da primavera. Mas geralmente o Pessach é um período mais quente e seco do que o normal, passado o Pessach, a temperatura tende a baixar um pouquinho (ficar na casa dos 18°C/24°C) e a umidade costuma subir bem. 

Porém, apenas para mostrar que baixa umidade castiga, mas não mata, este ano passamos o segundo dia de Pessach com 10% de umidade. 


Neste ano de 2013 o Pessach começou em 25 de Março e vai terminar em 01 de abril, todavia só são feriados os dias 25 (à tarde) e 26 de Março e 31 de março (à tarde) e 01 de abril.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Onda de Calor X Tempestade de Areia

Existem dois fenômenos climáticos em Israel que embora sejam quase a mesma coisa é possível fazer uma breve distinção entre eles, o hamisin e o sharav.

- Hamisin (חמסין)  é um vento desértico, empoeirado, quente e seco que vem do norte da África para o Oriente Médio e pode ocorrer entre fevereiro e julho. No Hamisin os ventos são bastante fortes podendo chegar a 140km/h e a temperatura pode subir cerca de 20°C em duas horas. Hamisin é o que popularmente se costuma chamar de tempestade de areia. E você imagina que nenhuma outra experiência climática pode ser pior do que essa, até você conhecer o Sharav.

- Sharav (שרב) É uma onda de calor, proveniente do sul do mediterrâneo, que deixa o clima do país completamente cinza, pesado, extremamente quente e ultra-seco. Normalmente, os ventos não são tão fortes, como no hamisin. A umidade relativa do ar fica em torno de 50%, podendo chegar a 20%, em casos extremos. O Sharav costuma ocorrer nas mudanças de estação do inverno para a primavera e do verão para o outono.

Na realidade, segundo dizem, o hamisin é apenas um tipo de sharav, cujos ventos se originam do leste, enquanto que no sharav os ventos se originam no sul. Enfim, havendo ou não uma diferença conceitual entre eles, o fato é que Israel ferve a seco, o ar falta e isso às vezes vem acompanhado de uma tempestade de areia e às vezes não. A recomendação é beber muita água e evitar sair a rua o máximo possível. Dependendo da gravidade, as escolas suspendem as aulas ou ao menos suspendem o recreio em pátios abertos.

E assim é um dia de Sharav:
Tel Aviv, 03/03/2013. Fonte: Walla News
Durante o sharav da semana passada Israel chegou a atingir 37°C no centro do país, quando estávamos ainda com uma média de temperatura de 15°C/20°C. Passado o sharav as temperaturas voltaram a cair.

E essa semana, não bastasse a visita do Obama e do Cristiano Ronaldo para tumultuar bastante o país, ainda fomos brindados com um Sharav que ficará por aqui pelo menos até o fim de semana. Tudo isso às vésperas do feriado de Pessach que é um dos mais longos feriados de Israel e que por si só já consegue desorganizar toda a sua vida desde 15 dias antes de começar. Está de bom tamanho para uma semana, né? rsrs.

Nos próximos posts eu falo sobre o Pessach e sobre a visita do Obama.

Update:
Uma coisa que eu não costumo fazer é atualizar post, mas só para mostrar, aqui em Nazareth não está nem tão quente, mas a umidade do ar amanheceu em 26%.

domingo, 17 de março de 2013

Comida Casher e Hábitos Alimentares de Israel

Vocês gostam de post sobre comida, né? Então lá vamos nós, antes de falar em pratos típicos tentar mostrar baseado em que foram construídos os hábitos alimentares de Israel.

Na Torah existem algumas passagens que tratam da questão alimentar e no século XIX foram codificadas de maneira mais didática, as normas e preceitos do que seria alimento Casher.

Pela tradução, casher é algo como legítimo, apropriado ou permitido, mas na prática é bem mais complexo do que isso.

Normalmente quando se fala em comida casher (hebraico) ou kosher (ídiche) o que você escuta é que comida casher é basicamente não misturar carne com queijo. E essa é basicamente a explicação mais infantil e reducionista de todas as explicações. Isso não é nem perto do que é comida casher.

A comida Casher se divide em 3 grupos:

Bassari (בשרי)- São as carnes permitidas, o que inclui carne de boi, cordeiro e algumas aves como frango e pato.

Halavi (חלבי)- É o leite e os laticínios de um modo geral.

Parvê (פרווה)- Normalmente, tudo aquilo que vem da terra, como frutas legumes, grãos, cereais, além de ovos, peixes de escama e gelatina entre outras coisas.

E como isso funciona? Na prática, não se pode misturar produto bassari com halavi, já o parvê pode ser misturado com qualquer um.

Ou seja, em Israel você não vai entrar num restaurante e encontrar stogonoff ou lasanha à bolonhesa por exemplo (já que carne e leite/laticínio não se misturam).

Mas é só isso? Não. Quando o produto sai de fábrica ele vem com um selo de cashrut (selo que comprova que aquele produto é casher). Quase 100% dos produtos vendidos em Israel possuem esse selo. Isso vale não só para comida, como também para vitaminas, complementos alimentares, fórmulas infantis e medicamentos naturais.

Esses são os selos que normalmente vem nas embalagens (inclusive especificando a que categoria cada alimento pertence, afinal você não tem como saber se um pão por exemplo, leva leite ou não).

Esses são os selos encontrados em quase todos os produtos israelenses:



Estes símbolos normalmente são vistos em produtos para exportação ou fabricados fora de Israel:


Alguns exemplos desses selos nas embalagens daqui de Israel:





Então, agora acabou a explicação, né? Ainda não. Assim como todo produto é atestado, os estabelecimentos comerciais também são. E um restaurante para ser considerado casher ele precisa ter tudo separado. Pias, fornos, pratos, geladeiras, talheres. Todo e qualquer objeto ou equipamento que entrar em contato com um produto halavi não pode entrar em contato com um produto bassari. E as pessoas seguem isso em suas casas também. É extremamente comum as pessoas terem em casa pratos, talheres e outros utensílios separados para produtos bassari e halavi.

Claro que dentro de casa cada um faz o que quiser, mas os restaurantes são atestados de ano em ano (e fiscalizados com frequência) e recebem  um certificado de cashrut que tanto pode autorizar aquele restaurante a servir apenas produtos basari, apenas produto halavi ou ambos. Claro que o produto parvê é servido em ambos.

Mas todo restaurante segue isso? Eu diria que cerca de 70% dos restaurantes de Israel possuem certificado cashrut. Há cidades onde isso é mais dominante como Jerusalém e há cidades em que isso não é tão relevante como Nazaré, mas considerando uma cidade pela outra, eu diria que chega a uns 70% talvez um pouco mais.

Na verdade, há uns tempos atrás houve uma serie de escândalos envolvendo rabinos autorizados a fornecer o certificado de cashrut, onde ficou demonstrada uma corrupção muito grande por parte deles e uma fiscalização pouco efetiva, então nesse momento muitos comerciantes abriram mão desse certificado, que diga-se de passagem é caríssimo, mas independente de qualquer coisa, foi isso que moldou e molda os hábitos alimentares de Israel.

Isso é um exemplo de certificado de cashrut, colado na parede de um restaurante:



Isso não encerra tudo que você precisa saber sobre alimento casher, mas é o mínimo (bem mínimo mesmo!) para entender como e porque as coisas são aqui em Israel.

Se por um acaso surgirem muitas dúvidas a respeito do assunto, eu faço um post mais completo. Considerem esse como um "manual básico para viagem". rsrs


segunda-feira, 4 de março de 2013

Quanto Custa Comprar um Carro em Israel

Quanto Custa um carro em Israel é uma pergunta meio sem sentido e consequentemente, meio sem resposta, mas como quanto custa um carro e quanto custa uma casa/apartamento em Israel são as duas perguntas que mais me fazem (a cada dois ou três dias alguém pergunta isso), vamos tentar dar uma resposta para isso aqui (sobre casa/apartamento eu falo no próximo post).

Em primeiro lugar, em Israel, como em qualquer país do mundo os carros variam de preços não só em função de serem novos ou usados, mas também em razão do modelo e acessórios que possua e para os usados também é preciso levar em consideração ano, quilometragem e estado de conservação, mas eu acho que isso não é ou não deveria ser surpresa para ninguém.

Então, apenas para tentar dar uma noção bem genérica de preços vou usar um Ford Focus como exemplo.
Um Ford Focus, simples, em bom estado de conservação ano 2007 sai hoje na faixa 40 mil shekels (R$ 20.000,00), enquanto um Ford Focus, proporcionalmente nas mesmas condições, ano 2010 custa algo em torno de 60 mil shekels (R$ 30.000,00). Isso são valores de hoje, tá? E um Ford Focus novo ano 2013 já passa um pouco dos 100 mil shekels (R$ 50.000,00).

Só que em Israel, o preço do carro é o que menos importa ou pelo menos é o menor dos seus problemas, já que  o que de fato pesa é o custo de manter esse carro.
Para ter um carro em Israel, no mínimo você precisa ter o seguro obrigatório, que é super básico só cobre custo humano (mortes e feridos) não cobre prejuízo com seu carro nem de terceiros, nem roubo, furto nada disso.

O seguro basicão para um Ford Focus 2007/2010 fica numa faixa de 3.500 a 4 mil shekels.

Além disso, você paga a vistoria anual e a revisão do mecânico, que também é baseado no valor do carro.
Então, mais ou menos, para um carro desse tipo a vistoria fica em torno de mil shekels e a visita ao mecânico, se não tiver nada para fazer, só para ele revisar e aprovar o seu carro para a vistoria não fica por menos de 500 shekels. E para terminar, ainda tem a questão do combustível que em Israel é um absurdo de caro. A gasolina comum (95 octanas) está por volta de 8 shekels o litro.

Infelizmente, já deu para perceber que ter carro em Israel é uma brincadeira cara, né?

E o motivo é o mesmo de quase todos os países, tentar evitar os engarrafamentos. Israel é um país pequeno, se o trânsito não fluir relativamente bem, o país simplesmente para.

Claro que Israel tem seus problemas de trânsito, mas nada que se compare ao Brasil ou ao nosso vizinho Egito.

Engarrafamento em Israel é algo mais ou menos assim:

Esse "super engarrafamento" foi em Ashkelon porque o sinal de trânsito havia quebrado. 
E para quem nunca viu um posto de gasolina israelense, surpreenda-se como o fato dele ser igualzinho a todos que você já viu em qualquer lugar do mundo:


E só a título de esclarecimento, para comprar um carro em Israel é preciso ter carteira de motorista israelense. 

A carteira de motorista internacional pode ser usada por até um ano e as carteiras emitidas em outros países podem ser usadas por até 3 meses, mas com essas carteiras só é possível alugar um carro.

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