domingo, 24 de fevereiro de 2013

Purim, O Carnaval à Moda Israelense

Todos os povos que eu conheço têm uma festa semelhante ao carnaval e, em Israel não é diferente. O Purim é o nosso "carnaval made in Israel".

Porém, o Purim é uma festa bem diferente do que tradicionalmente se supõe que seja um carnaval, a começar por duas diferenças básicas, em primeiro lugar o carnaval é uma festa pagã e o purim é uma festa religiosa e em segundo lugar o carnaval é feriado, no Brasil diga-se de passagem um feriado enorme, e o Purim não chega a ser feriado, ele é uma espécie de ponto facultativo, coisas como escolas, universidades órgãos públicos e boa parte dos restaurantes fecham, mas os transportes não param e em regra a vida segue normal, com boa parte das empresas funcionando normalmente.

A semelhança com o carnaval fica por conta da tradição de se fantasiar e, ao passo que esta é a semelhança é também a grande diferença, pois no Purim as pessoas não se fantasiam para ir a uma festa, mas sim para fazer o que normalmente fazem todos os dias, trabalhar, levar o cachorro para passear, dirigir etc.





Eu admito que é um tanto quanto estranho quando no seu primeiro Purim você entra no banco e uma atendente vestida de coelho diz: Lamento senhora, mas o seu talão de cheques ainda não chegou! Pois é, normalidade é um conceito que se aprende!

E como eu disse, o Purim é uma festa religiosa, assim sendo é bem comum ver ortodoxos fantasiados, usando parte da roupa que os caracteriza como ortodoxos e parte fantasia ou pelo menos participando de festas e ajudando pessoas a se paramentar para rezar:



Ortodoxo ajudando soldado a amarrar o Tefllin no braço para rezar.

O dia do Purim mesmo é um só, que neste ano de 2013 caiu no dia 24 de fevereiro, mas ao longo da semana é comum ver crianças fantasiadas indo para a escola, já que no dia da festa mesmo, as escolas estarão fechadas.

Uma outra tradição do Purim é uma brincadeira que se chama Anakim Ve Gamadim (Gigantes e Gnomos), que é mais ou menos parecida com o nosso amigo oculto (ou amigo secreto, como se diz em algumas regiões), só que funciona um pouco diferente. 

As pessoas se sorteiam normalmente, como num amigo oculto, e digamos assim, você será o gnomo em relação à pessoa que você sorteou e o gigante em relação à pessoa pela qual você foi sorteado. A brincadeira dura 3 dias e nesse período você tem que colocar um "agrado" para a pessoa que você sorteou, obviamente, sem ela saber quem está deixando, é uma espécie de presente "para acalmar o gigante" e da mesma forma a pessoa que te sorteou também deverá deixar algo para você sem que você veja. Esses "agrados" são sempre algo de comer ou beber, geralmente doces, e claro, a brincadeira é tentar adivinhar quem sorteou quem. Nos três primeiros dias se costuma dar coisinhas mais simples e no último dia, que é o dia da festa mesmo, é tradição se dar um presente melhor.

Inicialmente isso era uma brincadeira que as crianças faziam nas escolas e deixavam, uma balinha, um chocolate ou um punhado de biscoitos para o colega, mas já há muito tempo a brincadeira é bastante popular entre os adultos e com isso, o chocolatinho ou pacotinho de balas se transformaram em coisas bem mais elaboradas, como cestinhas de café da manhã ou pacotinhos com doces, vinhos e frutas ou frutas secas. Em resumo, o Anakim Ve Gamadim é a prima mais chata do amiga oculto. Pelo menos o amigo oculto dura um dia só, né? rsrs

Alguns exemplos de cestas dadas nessas brincadeiras:





O doce típico de Purim se chama Ozen Haman, que significa orelha de Haman, que tradicionalmente é uma espécie de biscoito amanteigado recheado com geléia, mas hoje já se encontra até recheado com M&M.





Versão recheada com M&M.
E como ocorre no carnaval, no Purim também existem desfiles nas cidades, claro que nada muito grandioso, na verdade funciona mais como uma parada com pequenos carros alegóricos e pessoas fantasiadas.

A parada mais tradicional de Israel se chama Adloyada e ocorre na cidade de Holon:



Então, com boa-vontade pode-se dizer que existe carnaval em Israel, certo? rsrs


*A exceção das fotos com a marca d'àgua do blog, que são minhas, todas as outras foram retiradas da internet.





quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Em Israel Tem: Requeijão, Nutella e Miojo

Há muito tempo que eu não faço um post desse tipo e apesar de eu achar meio bobo, eu sei que as pessoas ficam mais felizes de saber que em Israel tem café e banana do que educação pública de qualidade e igualdade social. rsrs.

Então, mais uma vez quebrando mitos e desfazendo ilusões, para você que sempre acreditou que o requeijão é uma invenção mineira, acredite, não é! O requeijão é invenção árabe e como tal é super comum, pelo menos na região norte de Israel. É idêntico ao requeijão brasileiro, em sabor e textura. Não conheço nenhum que seja fabricado aqui, todos são importados da Arábia Saudita ou do Egito (ao menos todos que eu vi até hoje).


A Nutella, depois da coca-cola, eu diria que é o maior vício alimentar do israelense. Em todos os bares e restaurantes, em qualquer coisa que se possa colocar um recheio ou cobertura doce, existe a opção Nutella. Por isso que em Israel a Nutella mais vendida é a desse "potinho pequeno" de 750g. Agora eu pergunto, existe Nutella de 750g, no Brasil? Sinceramente só me lembro do potinho menor.

Para os gaúchos e sul-matogrossenses de plantão, em Israel tem erva-mate!!! Portanto, o tereré e o chimarrão nosso de cada dia, estão plenamente resguardados. rsrs.
Não é o chá mais popular de Israel, mas normalmente se encontra na seção de chá de qualquer supermercado mediano. Aconselho só a trazer a guampa e a bombilla (gaúchos não lembro como vocês chamam, seria cuia e bomba?) que isso sim não é tão fácil de se achar por aqui. E antes que alguém me pergunte, eu não aprendi a tomar tereré no Brasil, eu adquiri esse bom vício quando morei no Paraguai. 

"La Hoja e "Nobleza Gaucha" são as marcas mais comuns por aqui. A "La Hoja também se encontra em saquinho para fazer chá mesmo: 


E por falar em vícios, o miojo é um vício que nossas mães nos ajudam a cultivar na infância certo? Pois é, e esse é mais um vício que pode facilmente ser cultivado por aqui. 
Miojos em Israel, são em geral importados da Rússia, a massa é idêntica ao do Brasil, agora o tempero, não tem jeito, igual ao Nissim Lamem não existe, mas é bem parecido. Vale a pena experimentar, até porque é da Nestlê

Nada como morar em Israel e comer miojo russo da Nestlé, para ter a sensação que nada mais é de lugar nenhum e tudo é de todos os lugares, né? rsrs
E para encerrar o post, aquilo que no mundo de hoje torna todos os povos irmãos: Pipoca de microondas, batata Pringles e biscoito Oreo. alguém conhece algum lugar no mundo que não venda isso?






terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Adquirindo um Animal em Israel

Talvez esse não seja um assunto primordial para quem está pensando em mudar de país, mas como a gente sabe que quem é vidrado em bicho dificilmente fica sem um animalzinho em casa por muito tempo e como também eu sei que é um assunto que muita gente tem curiosidade, vou tentar mostrar pelo menos o básico.

Estima-se que cerca de 35% da população israelense adulta possua um animal de estimação, o que é um número relativamente baixo em relação a outros países. Tempos atrás eu vi uma pesquisa que afirmava que quase 70% dos lares brasileiros possuem animais de estimação, praticamente o dobro.

Ao meu ver, isso se deve a três fatores, leis rigorosas em relação aos animais, o custo relativamente alto de se manter um pet e talvez o principal, apartamentos israelenses são em geral pequenos.

Os animais mais criados em Israel, pela ordem são: Cães (óbvio), gatos, hamsters, papagaios e cobras.

Sem sombra de dúvida o cachorro é o animal de estimação mais popular de Israel e é também o que enfrenta leis mais rigorosas. Por exemplo, o cachorro é o único animal que possui registro na prefeitura e o único que obrigatoriamente precisa tomar vacina anti-rábica. Sem falar que se seu cachorro morder ou machucar alguém as multas são pesadíssimas, além do que o dono precisa arcar com todas as despesas da pessoa cujo seu cão feriu até que ela se recupere.

Quem faz o registro do cachorro não é o dono, mas sim o veterinário no momento em que o cão recebe a primeira dose de vacina anti-rábica ele recebe um registro. Também é recomendado o uso de focinheiras em qualquer cachorro, independente do tamanho (é verdade que isso nem sempre é respeitado!) e há sim raças proibidas de serem criadas e comercializadas em Israel, são elas, Pit Bull e Bull Terrier em todas as suas variações, Tosa Inu, Dogo Argentino, Fila Brasileiro e Rottweiler (esses são os que eu me lembro agora, o texto é feito de cabeça, tá? mas acho que são só esses). Os cães destas raças que ainda existem em Israel são todos castrados e não podem mais ser importados, a previsão é de que em mais alguns anos eles deixem de existir no país. Eu posso garantir que nunca vi um Rotweiler em Israel, mas Pit Bull tem e muito.

Com relação a gatos as leis não são tão severas o que faz com que gatos acabem sendo animais mais abandonados do que cães. É muito difícil ver um cão abandonado perambulando pelas ruas em Israel, não estou dizendo que seja impossível, mas em regra eles são recolhidos em no máximo 3 dias. Já os gatos, como não são um problema, lamentavelmente, ficam pelas ruas. De tempos em tempos, geralmente no início do verão e às vezes no início do inverno, as prefeituras passam recolhendo grande parte dos gatos, os que tem problemas de saúde são sacrificados, os que estão saudáveis ou tem boas chances de recuperação são colocados para adoção.

Até onde eu sei, os centros de adoção são administrados pelas prefeituras. Porém adotar um animal em Israel é algo que infelizmente acaba saindo mais caro que comprar. Pet Shops em Israel não vendem gato e cachorro (alguns poucos têm autorização para isso), apenas outros animais como peixes, cobras, lagartos e roedores. Portanto não dá para comprar aquele "persinha" baratinho.

Ao adotar um animal você terá obrigatoriamente custos com veterinários, não só para vacinar, mas porque muitas vezes o animal vem com algum problema, sem falar na castração que é um procedimento cirúrgico que tem um custo alto (no mínimo uns 500 shekels, não acredito que se encontre por menos), sem falar nos cuidados pós-operatório. Ao adquirir um animal de raça você paga por ele e ele virá com as duas primeiras doses da vacina, garantia de boa saúde, exames de sangue feito, testado para possíveis alergias, e castrado. Eu sei que é duro, mas é a realidade. Infelizmente, nós somos obrigados a pensar com o bolso.

O meu gato é um British Shorthair, tem pedigree, veio castrado e com uma saúde perfeita, eu paguei por ele com tudo isso 2 mil shekels. Quando você traz um bichinho desse para casa você sabe o que está levando, sabe a personalidade que ele terá e sabe o que esperar. Ele nunca foi ao veterinário, a não ser para tomar a segunda dose da vacina, chegou em casa com 13 semanas, hoje está quase com 2 anos e meio.

Está aí o meu princepezinho em foto e vídeo para quem ainda não conhece (alguém que lê esse blog ainda não conhece ele? rsrs):
Oxford com 2 anos e 5 meses.

Um videozinho da nossa miniatura de pantera

É impossível esgotar esse assunto num único post, em breve tem mais sobre o tema, ok? :)





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