sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Um Excelente Fim de Ano a Todos e Até 2014!

Fim de ano é um momento excelente para reflexões e reavaliações. Então eu vou aproveitar a ocasião para explicar uma coisa:

Num determinado momento da minha vida, muitos anos atrás, eu fui muito ajudada pela internet e por pessoas que eu jamais cheguei a conhecer. Pessoas, sites e blogs que numa determinada situação mudaram a minha vida para sempre. Então, eu prometi para mim mesmo que o dia que eu tivesse um conhecimento não profissional, que pudesse ajudar alguém, eu passaria adiante de graça. Portanto, esse blog é meu entendimento com Deus, uma forma de agradecer o que um dia eu ganhei de mão beijada. Se eu ajudasse uma única pessoa com ele eu já estaria realizada. É por isso que esse blog existe!

E falando especificamente do blog, no final de 2012, quando eu me despedi para uma pausa de fim de ano, o blog contava cerca de 200 acessos por dia. No decorrer de 2013 o blog cresceu muito e sozinho, sem eu fazer nada, e agora nós terminamos 2013 com uma média de 700 visualizações por dia, alguns dias chegam a ter 1500 acessos.

Então acreditem em mim, eu respeito muito vocês e não tenho a mínima pretensão de parar de escrever esse blog, parem de se preocupar com isso!!! :)

No mais, agradeço muito a todos que seguem o blog, que gostam de mim, que trocam uma ideia, não só deixando comentários, mas partilhando um pouco da vida de vocês comigo. Meu carinho mais que especial aqueles que deixam de ser "apenas" leitores e passam a ser meus amigos, vocês são muito queridos e muito bem-vindos na minha vida, sempre!

Eu lamento não poder responder a todos na hora, alguns eu realmente esqueço de responder, mas vocês sabem que eu viro madrugadas conversando com vocês no Facebook, então, acho que ninguém termina o ano chateado comigo por isso, certo?

E como não poderia deixar de ser, eu agradeço imensamente a fidelidade daqueles que vem aqui exclusivamente para me odiar. Vocês não sabem o quanto a presença de vocês me alegra e me diverte.

Aos que acreditam em Deus, que Deus abençoe o fim de ano de vocês e aos que não acreditam, faço votos que vocês consigam continuar tendo fé na humanidade e principalmente torço para que a humanidade consiga ter fé em vocês.

Um excelente fim de ano e que 2014 seja um ano muito próspero e de muita luz para todos nós.

E no comecinho de 2014 o blog volta com todos os posts que eu fiquei devendo em 2013, farei o máximo para responder em forma de posts as perguntas que vocês mais têm feito e assim como foi esse ano, pelo menos 2 posts por mês eu garanto (tentarei fazer mais, mas até março ou abril acho difícil conseguir passar disso).

Um beijo enorme para todo mundo!

Nazaré às Vésperas do Natal.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Você Tem Saudades de Que?

Desde que eu fiz esse blog, com certeza é a pergunta pessoal que mais me fazem. Mas, como fim de ano o povo fica mais sentimental, de novembro para cá, eu perdi as contas das vezes que eu respondi essa pergunta. rsrs.

Geralmente depois de perguntar do que eu sinto saudades as pessoas complementam assim: "Tirando a família, né? eu quero dizer coisas, sonho de valsa, bis..."

Ou seja, na verdade vocês querem saber de qual chocolate eu sinto falta, né? E só dão exemplo de chocolate Lacta, é uma coisa incrível. Eu não sei, mas eu tenho a impressão que se um dia a Lacta falir vai haver um suicídio coletivo no Brasil.

Enfim, mas vamos falar de saudade. Não preciso nem deixar claro que isso nada mais é do que minha opinião e meu modo ultra-pessoal de ver as coisas.

O que eu acho, sinceramente, é que saudade é um "erro" ou um "ajuste errado" no seu equilíbrio emocional. Na verdade, a grande maioria das pessoas já saem do Brasil se lamentando pelo que elas vão "perder" ou pelo que elas imaginam que não terão no outro país.

Muita gente antes deixar o Brasil me escreve e fala assim: "deixa eu aproveitar essa paisagem porque aí não vou ter isso" ou deixa eu comer tal coisa que depois não vou comer isso tão cedo" e centenas de outras frases carregadas de lamúria. Sem falar, no "Aí tem determinado produto? Ah porque não vivo sem isso" (para mim o pensamento mais estúpido de todos)

Perceba que a pessoa já está se boicotando, já está se programando para achar o país para o qual ela está imigrando uma porcaria. Ela está se preparando para chegar aqui e já ter pronta a lista de saudades e sofrimentos" que ela decidiu carregar.

Desculpa, mas com toda sinceridade do mundo, se qualquer bobagem dessas passa ou passou pela sua cabeça antes de você imigrar para Israel ou qualquer outro país que seja, não imigre!

Agora respondendo, o que eu já me cansei de responder esse mês. Sinto falta dos meus pais e do meu irmão, mas sei que eles estão bem, falo com eles quase todo dia e me sinto mais próxima deles hoje do que quando eu morava no Brasil para dizer verdade.

Não sinto falta de nenhum alimento do Brasil e nunca gostei de chocolate lacta. Nunca gostei muito de chocolate quando vivia no Brasil, nem chocolate Europeu me atraía muito. Depois de provar os chocolates israelenses realmente eu mudei de opinião sobre os chocolates. O chocolate israelense é uma delícia e mesmo que não fosse, aqui você tem acesso a uma variedade enorme de chocolates europeus (alemães, belgas, holandeses etc) e super barato, não vejo razão para ninguém sofrer por essas pastas de açúcar e manteiga de cacau que são os chocolates brasileiros.
Uma pequena amostra do chocolate israelense.

Sem falar que há muita coisa do Brasil que eu já nem me lembro mais, antes de vir para Israel eu morei na Bolívia e brevemente no Paraguai então já faz muito tempo que o Brasil deixou de fazer parte da minha vida.

Imigrar é uma escolha, e como toda escolha inclui ganhos e perdas. Resta a você saber se quer sofrer pelas perdas ou se alegrar pelos ganhos.

Saudade e falta de adaptação são duas coisas que caminham de mãos dadas, enquanto você não resolver abandonar a saudade, você não conseguirá se adaptar a nenhum lugar ou a nenhum novo estilo de vida. Conforme você se adapta, a saudade diminui.

Só que adaptação não é uma mágica que vai acontecer naturalmente, adaptação é uma decisão que você toma e ao se desapegar da sua vida pregressa, dos seus hábitos e das suas "verdades absolutas" você permite que esse processo aconteça. Simples assim!

Até uma simples mudança no clima requer adaptação. De que adiantaria sofrer no inverno pelo verão ou vice-versa?


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Liberdade Religiosa em Israel

Não sei porque as pessoas misturam tanto o país ter uma religião oficial com a ideia de que no país não há liberdade religiosa.

Embora a maior parte dos países do mundo não tenham uma religião oficial, todos ou quase todos, são construídos em cima de conceitos religiosos. Eu não consigo enxergar nenhum país cuja a cultura inicial não tenha sido forjada em cima de uma religião.

Por exemplo, Brasil, Portugal, Espanha não possuem uma religião oficial, todos têm liberdade religiosa, mas são países de cultura essencialmente católica, o mesmo acontece com os EUA, cuja a cultura e tradições são baseadas no protestantismo (pelo menos na forma deles de serem protestantes, não discutam comigo porque eu não faço a menor distinção entre as denominações evangélicas).

E é com base nessas religiões que teoricamente não são oficiais que os países fazem seus feriados, constroem seus valores e redigem suas leis. Se não fosse isso, qual seria a explicação de ser feriado no Natal ou na Páscoa em quase todos os países de tradição cristã?

Existe país laico (sem religião oficial), mas não existe cultura laica, essa é a verdade.

O mesmo ocorre com Israel. Toda cultura israelense tem origem no judaísmo, todos os feriados nacionais são baseados no judaísmo e do mesmo jeito também aqui existe liberdade religiosa. A única diferença é que aqui em Israel o judaísmo é a religião oficial do país e isso não muda, nem interfere em nada na vida de ninguém.

Prova disso, está em todas as Igrejas (Católicas e Evangélicas), Mesquitas, Centros Budistas, Espíritas, Bahaii entre outras formas de manifestações religiosas existentes em Israel.

Todas são abraçadas e protegidas pelo Estado e, embora só seja feriado oficial nos feriados judaicos, se você pertencer a outra religião te é permitido tirar seus dias de folga de acordo com os preceitos da religião que você pratica.

Eu filmei um vídeo aqui em Nazaré que mostra a oração de sexta-feira dos muçulmanos em plena praça, em frente à Mesquita deles para vocês conseguirem perceber o quanto isso é tranquilo em Israel:


E para os que me acusam de não ter religião ou de não acreditar em Deus. Sim, eu tenho religião e sim eu acredito em Deus. Eu apenas não sou evangélica (como muitos acham que eu tenho que ser) e embora seja judia do ponto de vista genético/étnico não pratico o judaísmo.

Gosto das tradições judaicas, do ponto de vista cultural, guardo algumas tradições, mas não sigo o judaísmo como religião.

Porém, como hoje é o terceiro dia do Hanukkah,que é umas das tradições judaicas que eu guardo, aproveito para compartilhar a foto do meu Hanukkiah (candelabro de 9 braços) com vocês:

!חג חנוכה שמח (Hag Hanuká Sameach!) - Feliz Hanuká!


quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Hebraico: Método de Estudo

Primeiramente é preciso entender que antes de querer aprender hebraico você precisa querer estudar hebraico. Eu vejo muita gente com vontade de aprender um idioma, mas vejo muito pouca gente disposta a estudar esse mesmo idioma.

Coloque uma coisa na sua cabeça:

Estudar é sacrificar um momento da sua vida não saber é sacrificar todos.

Estudar não é milagre e não é mágica, não tem caminho fácil nem indolor. Quanto mais fácil o caminho, menos você aprende. Claro que existem métodos de estudo, mas não existem métodos para driblar o estudo.

Dito isso, vamos falar de hebraico:

Apesar do hebraico ser mais complexo do que a maioria dos outros idiomas, os métodos de estudo são basicamente os mesmos de quem estuda qualquer outra língua.

E para dizer a verdade só existe uma fórmula para se estudar qualquer coisa na vida:

Disciplina + Dedicação = Resultado

Eu não conheço outra fórmula.

Antes de mais nada selecione seu material de estudo. Infelizmente, em hebraico o que há de melhor (ou menos pior) está em inglês, não conheço nada de qualidade em português. Então, se você não fala inglês, talvez devesse pensar primeiro em aprender inglês para depois pensar em aprender hebraico.

A verdade é que tirando as primeiras explicações, idioma se aprende direto no idioma que se está estudando. Quem já fez curso de inglês ou espanhol sabe que em sala de aula se fala no idioma estrangeiro o tempo inteiro do início ao fim. Se você estudou em algum curso que não era assim, lamento, você foi enrolado. E é exatamente por isso que é impossível aprender um idioma sem aprender a ler e escrever naquele idioma, você não irá muito longe sem leitura, assim sendo:


>Para quem está do zero:

Eu chamaria esse primeiro momento de pré-básico:

1- Aprenda os sons que existem em hebraico. Na verdade para qualquer idioma o primeiro passo é sempre estudar/conhecer os sons das letras. Nem todos os sons que existem em português existem em hebraico e vice-versa;

2- Decore o alfabeto. Sei que o alfabeto hebraico assusta, mas isso é puramente psicológico, na verdade quando se aprende um outro idioma sempre é necessário aprender um outro alfabeto, até mesmo em Inglês. O "desenho" das letras pode ser o mesmo, mas os sons são completamente diferentes e é necessário aprendê-los para falar o idioma que se está estudando. A diferença é que no hebraico você precisa aprender os sons e associá-lo a um novo "desenho" de letra;

3-Num primeiro momento, procure conhecer frases básicas e os verbos mais usuais no dia a dia. Isso vai te ajudar a ter um primeiro contato com o idioma;

4- Procure estudar gramática e entender a estrutura do idioma desde o início. Sobretudo, procure conhecer os grupos e tempos verbais eles serão a chave de todo o resto do seu aprendizado.

5- Estude pelo menos 20 minutos por dia, no começo você não vai conseguir passar disso mesmo e é sempre melhor a regularidade do que a quantidade;

6- Se puder vir estudar em Israel, venha, mas tenha em mente uma coisa: Idioma não é radioativo, estar aqui não fará você aprender nada automaticamente. Idioma requer estudo e hebraico requer três vezes mais estudo do que seria necessário para estudar uma língua ocidental.

>Para quem já passou do zero e está no básico - Aquele momento que você sabe um monte de coisa, mas não consegue ler, falar, nem entender nada do que é dito.

Diferente da grande maioria dos idiomas, em hebraico se faz necessário aprender um monte de coisa para então você saber que não sabe nada, mas já está apto a começar a aprender o idioma. infelizmente isso é verdade!

O hebraico é um idioma que te ensina a ter todas as virtudes do mundo: Paciência, humildade, tolerância com você mesmo etc.

1- Esqueça os pontos, eles não existem no idioma, eles são apenas um auxilio de alfabetização, funcionam mais ou menos como a nossa separação de sílabas;

2- Conheça as raízes das palavras, tudo em hebraico é baseado nisso, inclusive os dicionários. Você não vai encontrar verbos no infinitivo no dicionário, você os encontrará na terceira pessoa do passado que é a raiz, a indicação do grupo verbal e o nome do verbo.

3- Conheça bem os grupos verbais. Todo segredo da leitura em hebraico está na estrutura de formação verbal. O hebraico é um idioma em que quase tudo deriva dos verbos e as regras de leitura são baseadas nessa derivação, por isso os pontos são desnecessários, porque para tudo existe regra (regras que precisam ser decoradas). Pode parecer difícil e no começo acho que é mesmo, mas é tudo uma questão de treino. Então treine!!!

Ultrapassada essa fase, que para mim foi a pior de todas, você entra numa fase intermediária avançada. Nesse momento você já vai ler com bastante fluência, já terá um bom domínio de vocabulário e talvez só tenha dificuldade para falar ainda, que é realmente a coisa mais difícil em hebraico (pelo menos eu achei).

O hebraico tem uma "mágica" que a palavra que você conhece você entende, não é difícil entender as pessoas falando. E toda a construção do israelense é muito lógica e muito repetitiva o que facilita muito as coisas.

>Nessa fase, que eu chamaria de consolidação, eu aconselho:

1-Fale o máximo possível, nem que seja sozinho, aliás principalmente sozinho. Construa seus pensamentos em hebraico. aproveite o tempo que você não estiver fazendo nada para traduzir seus pensamentos, no começo é um esforço depois se torna um bom vício. Anote as palavras que você não sabe para checar depois. Se você não tem um hobby adote esse. Ao menos é de graça!

2 Ouça muito rádio, assista TV e vídeos em hebraico, de preferência com legenda em hebraico. Se possível passe todos os seus aparelhos eletrônicos e redes sociais para o hebraico.

3- Identifique seus pontos fracos e tente trabalhar só eles. Se for leitura, jornais e sites de notícia são a melhor opção, porque tem uma linguagem bem acessível. Em último caso, tente os livros infato-juvenis (voltados para crianças de 10 a 12 anos mais ou menos), eles ainda tem pontos e costumam ter histórias conhecidas e que não são tão infantis.

Esses são os dois únicos livros com pontos que eu tenho. Eu usei para agilizar a leitura, mas o jornal funcionou melhor, mesmo sem os pontos. 
Sei que muita gente gosta de assistir desenhos no começo, mas pela minha experiência, embora eles tenham uma pronúncia muito limpa, muitas vezes eles falam de coisas muito fora da realidade, fora do dia a dia, o que os torna muito difíceis de serem entendidos numa fase em que nem tudo ainda está firme na sua cabeça.

Música até pode ser legal, mas às vezes é preciso saber o quanto da música você está entendo e o quanto você já decorou dela. Se você conseguir ser sincero com você mesmo, acho que a música pode sim ser um bom apoio.

Sobre material didático e sobre como eu aprendi hebraico eu já falei aqui.


terça-feira, 22 de outubro de 2013

Quanto Tempo Eu Levei para me Estabilizar Financeiramente

Essa semana eu recebi um e-mail que me fez pensar muito em tudo que nós (meu marido e eu) fizemos aqui em Israel.

Obviamente que eu não vou postar o nome de ninguém aqui, mas ele me fez algumas perguntas e uma delas especificamente me fez observar certas coisas que até então eu ainda não havia  prestado atenção.

Eu pensei em escrever sobre o assunto, mas acho que postar a pergunta e a resposta, vai ficar mais interessante e mais honesto, afinal é exatamente o que eu penso sobre o assunto:

A pergunta foi:

Em quanto tempo você se estabilizou em Israel no sentido financeiro e pessoal? 

Não sei se houve um momento em que eu olhei para mim e falei, agora estou estabilizada financeiramente. Mas eu acho que essa estabilização aconteceu mais ou menos quando nós compramos o nosso gato. Nesse momento a gente já tinha nossa casa montada, já tínhamos nossa vida plenamente estabelecida em todos os aspectos. 


Nós conseguimos pesquisar os gatis da raça dele na internet e tratar com as pessoas por telefone, tudo em hebraico, ainda não era o melhor hebraico do mundo, mas já funcionava bem. 


Comprar um bicho ainda mais caro como ele, é algo que só se faz com a vida muito tranquila, demos 2500 shekels no nosso gato. Fora um monte de outras coisas que você acaba tendo que comprar junto. 


Nesse momento nós sabíamos que Israel era definitivo e acho que comprar o nosso gato foi o nosso primeiro ato de estabilização, pelo menos que me ocorra agora. Nós compramos ele exatamente em novembro de 2010, estávamos há 1 ano e 4 meses em Israel.


Oxford, nosso parceirinho há 3 anos. =^.^=
Agora, não sei exatamente o que você quer dizer com estabilização pessoal. Minha estabilização como ser humano em Israel, quando eu  me senti parte do país acho que foi quando eu saí do Merkaz com 6 meses de Israel. 

E quando eu senti que o país era parte de mim acho que quando meu hebraico ficou pleno e quando eu vim morar em Nazareth. Aqui eu me achei totalmente e aqui eu passei a ter o mesmo tipo de vida social que eu tinha no Brasil. Eu mudei para cá com 1 ano e 10 meses de Israel, então eu diria que minha estabilização total levou uns 2 anos.

Hoje, no dia a dia, eu nem me lembro que não nasci aqui, de verdade mesmo.

Isso foi o que eu respondi para ele. Só que eu acho que eu fiquei devendo a explicação de como eu fiz e por que eu fiz?

É interessante quando a gente pensa em datas e números porque os primeiros meses em Israel foram muito cansativos e me pareceram muito longos e demorados, mas hoje olhando para trás eu vejo como tudo aconteceu de maneira rápida.

Com sinceridade, eu não acho de maneira nenhuma que a minha história seja exemplo para ninguém, as pessoas têm as suas próprias experiências e fazem suas escolhas com base nas suas necessidades pessoais. 

Eu tenho posicionamentos muito radicais em relação a uma série de coisas. Estudar hebraico exageradamente e não ter amigos brasileiros são dois desses posicionamentos.

Tudo bem, eu admito que hoje eu conheço algumas meninas brasileiras aqui em Israel, que eu conheci através do blog, que são pessoas super legais e com quem eu falo pelo facebook, mas não muda a péssima experiência que eu tive com Brasileiros em Israel lá no começo e não muda o fato de eu achar que se eu tivesse " me escorado" em meia dúzia de brasileiros quando cheguei não acho que eu teria conseguido tudo que eu consegui tão rapidamente, ao menos eu não tinha ninguém para me tirar o foco dos estudos e nem para viver falando mal de Israel o tempo todo.

Acho que as pessoas se acostumam a perguntar tudo, onde vende isso, como eu faço aquilo, será que você pode ir comigo em tal lugar? Isso pode até ser uma ajuda imediata, mas te prejudica e muito a longo prazo. 

Que raio de pessoa é você que precisa estar cercado de gente com a mesma procedência que você? O que vocês são "Robôs made in Brazil" que só funcionam junto com os da mesma série? Mudar de país exige muita coisa e uma delas é esse "desapego tribal". 

Se deem ao direito de conhecer gente nova com pensamentos novos. Pedir e perguntar vicia e o que é pior te vicia em gente que muitas vezes sabe tão pouco ou menos que você. Ser do Brasil e estar alguns anos em Israel não qualifica ninguém a saber mais do que você, então por que confiar na resposta de alguém? Por que não tentar descobrir sozinho as suas próprias respostas? Aprendam a fazer as coisas sozinhos. Seja o que for, só é necessário aprender uma vez.

E ter conhecido algumas pessoas legais do Brasil no meio de um monte de gente pouco interessante (para usar uma expressão suave. rsrs) só reforça o que eu vivo repetindo, inclusive aqui no blog mesmo: "Amigo se escolhe por afinidade e não por nacionalidade". 

sábado, 19 de outubro de 2013

Israel o País das Promoções e do Crédito Fácil

Apesar do custo de vida relativamente alto, Israel é um país que vive em promoção, tudo entra em promoção o tempo todo.

Basicamente existem duas formas de se fazer promoção em Israel:

As promoções correntes do dia a dia, sem data especial para ocorrer e que normalmente toda loja faz é a 1+1 (Ehad plus Ehad) que não é enganação como no Brasil é promoção mesmo. O produto custa um preço X num dia e no outro dia você leva 2 pelo mesmo preço. Depois disso as promoções mais usuais são as de 40%, 50% e 80%. Em muitas lojas quando você não quer levar 2 produtos na promoção de 1+1 eles te dão 40%.

Eu sei que muita gente acha que isso é venda casada, mas não é, o Brasil inventou a essa bobagem de venda casada, transformou isso em proibição legal e o comércio perdeu toda a capacidade ser atrativo e o consumidor perdeu a enorme oportunidade de obter vantagens. Essas promoções são sim extremamente vantajosas.

E outra forma, um pouco mais conhecida de se fazer promoção é a "promoção de fim de estação (Sof Onah), que é basicamente por a venda tudo que é da estação passada pela metade do preço. Isso vale para todo tipo de loja, móveis, roupas, eletrodomésticos, enfim todo tipo de comércio e até muitos prestadores de serviços fazem esse tipo de promoção.

E no meio dessas promoções ainda tem as promoções vinculadas aos feriados, a maioria dos feriados enseja algum tipo de promoção em alguma área do comércio.

Promoções, pelo menos em Israel, são uma forma de movimentar o comércio, de atrair a atenção do cliente e não verdadeiramente necessidade de queimar estoque.

Sem falar que não existe a possibilidade de você sair de um supermercado, farmácia ou qualquer grande loja sem te oferecerem e praticamente implorarem para você aceitar um cartão de crédito. Que na maioria das vezes é aprovado na hora e sem nenhuma burocracia, geralmente todo o processo não chega a levar mais do que 5 minutos.

E aliado a isso você ainda recebe centenas de SMSs com promoções e descontos relâmpagos que vão durar 1 dia, às vezes 1 semana, e-mail, correio, enfim, todas as formas de correspondência te enviam notificação de promoção o tempo todo.

Que legal! Tudo tão fácil e cor de rosa.
Verdade! Tudo super fácil e... super perigoso!

Esse monte de promoção vicia!
Você nem quer um daquele, mas dois está tão barato que você vai lá e compra. Essa é a perversidade da coisa.

E aí você paga num dos 9 cartões de crédito que você tem e vai vivendo sua vida para pagar aquele monte de 1+1 super vantajoso e aquelas outras coisas com 80% de desconto que você lembra de usar uns 6 meses depois da compra.

E é por isso que Israel é um dos países do mundo com mais gente endividada no banco. Poucos são os israelenses que não tem pelo menos um problema do gênero.

Mas, se você conseguir ser um ser humano equilibrado, Israel é um paraíso para comprar qualquer coisa.
Então resista, se puder:

A loja inteira na promoção de 1 produto com o segundo grátis. Você paga o preço do mais caro, óbvio.





8 produtos por 8 shekels e embaixo qualquer produto paga um e leva outro grátis.


Em cima preço por kg, embaixo por unidade.

Todos os produtos você paga 2 e leva +1 grátis. Nesse caso são 3 produtos iguais. 

Preço por kg.


Em cima: comprando 3 produtos - 55% de desconto; 2 produtos 50% e 1 produto 45%. Embaixo preço dos perfumes por unidade.



*Fotos tiradas da internet.



quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O Que Não É e o Que Não pode Ser.

Primeiramente eu queria começar esse post agradecendo o carinho de vocês comigo, o voto de confiança que vocês dão a mim e ao blog, mas eu preciso esclarecer certas coisas:

Primeiro, eu não sou guia de turismo. Eu entendo que quando você lê um texto meu isso nos aproxima e você tem a sensação que me conhece e por isso se sentiria mais seguro (a) sendo guiado por mim. Ok, mas essa não é minha profissão e nem eu pretendo que seja. Guias de turismo em Israel precisam ser legalizados para trabalhar nesta área e mesmo que não precisassem eu tenho a minha profissão e o meu trabalho. Eu agradeço de coração, mas de verdade, para mim não dá.

Segundo, eu até posso dar aula de hebraico, desde que você more no norte de Israel. Não há como eu te dar aula em Tel Aviv ou em Jerusalém, não tenho horário para isso. E não há a possibilidade de eu dar aula via skype para o Brasil porque a nossa diferença de fuso-horário é muito grande. Ficaria impossível conciliar.

E terceiro, eu não coloco propagandas nesse blog. Esqueça! Se você quer que eu escreva um texto para você, entre em contato, dependendo do assunto eu escreverei, mas não espere que eu publique um post nesse blog sobre algo que não tenha a ver com a proposta do blog, porque eu não irei. E só para esclarecer, este blog não é sobre viagens, nem turismo. Este blog é sobre viver em Israel ou no máximo sobre viver fora do Brasil. Ponto final.

E por fim, não se preocupem eu não parei de escrever para o blog, eu apenas estou com pouco tempo.

Acho que muitos de vocês sabem, mas para os que não sabem eu estou mudando de profissão, então estou estudando e trabalhando e isso está consumindo demais o meu tempo.

Creio eu, que em mais dois meses as coisas voltem ao normal, mas até lá eu publicarei sem muita regularidade mesmo. E embora eu esteja demorando para responder as perguntas de vocês, não deixem de perguntar ou sugerir temas, porque é o feedback de vocês que me faz saber o que vocês querem ver por aqui.

E para não dizer que eu não posto vídeos, um vídeo de um parque aqui em Nazareth Ilit que se chama Park Zeitim (Parque das Oliveiras). É um parque numa região bem central da cidade.


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Eilat - Mar Vermelho

Eilat é uma dessas cidades que não há muito o que dizer, só o que mostrar. É uma cidade que consegue ser extremamente linda, sem ter absolutamente nada.

É uma cidade com cerca de cinquenta mil habitantes, fronteira tríplice entre Egito, Israel e Jordânia e banhada pelo Mar Vermelho, que é o que torna a cidade mais fascinante.
Mar Vermelho visto do Mirante do Aquário de Eilat.
Eilat se localiza no extremo sul de Israel, é uma das cidades mais quentes e mais isoladas (distantes) do país e talvez a cidade que a temperatura mais demore a cair, o que só acontece mais ou menos em novembro. Mas não se iludam, não é quente o ano inteiro.

Diferente da maior parte do país que possui clima mediterrâneo, Eilat é uma região de clima desértico, portanto no verão as temperaturas chegam a ultrapassar os 40ºC e no inverno ficam na faixa de 12-20ºC. E chove bem pouco, cerca de 10 dias por ano.

Nascer do sol em Eilat.
Algumas imagens do Mar Vermelho na Praia dos Golfinhos ou Dolphnarium (Reef HaDolphinim).
É uma praia paga, pequena e extremamente bonita. Acreditem ou não, mas todas as fotos foram tiradas por mim e pelo meu marido.











Algumas fotos do centro da cidade:





E Eilat à noite:


Mapa da cidade em frente ao aeroporto. Honestamente, toda cidade deveria ter um mapa desses.



E eu vou ficar devendo as fotos do Aquário de Eilat que é um lugar incrível, que abriga várias espécies aquáticas e que por essa razão merce um post específico para ele, certo?

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Cultura Israelense

Está aí, um dos assuntos que vocês mais perguntam. Como é a cultura israelense?

A cultura israelense, incluindo música, cinema, teatro, shows, danças, literatura, pintura, museus e o que mais puder ser considerado expressão cultural é uma das mais mixadas e influenciadas do mundo. 

Poucos povos possuem dentro do próprio país tanta miscigenação cultural. 

E toda essa miscigenação influencia e transforma influências num estilo muito próprio e muito diversificado de se fazer arte, no sentido mais genérico que essa palavra possa ter.

 E por ser Israel um país extremamente pequeno, essa mistura se torna ainda mais potente, porque praticamente não existe regionalização, as variações de estilo são muito mais por gênero e identificação do que por região.

 Sendo assim, claro que é impossível falar de cultura ou arte num post só. Portanto, aos poucos, eu vou tentar mostrar todas as vertentes culturais de Israel com suas respectivas variações, certo?

Por ora, vou deixar aqui, algo que é uma curiosidade e que também faz parte do hábito israeli.

Se tem duas coisas que os israelenses gostam e muito são versões de músicas (músicas gravadas em outro idioma e praticamente traduzidas ao hebraico) e música  brasileira.

Essas duas coisas juntas nos faz encontrar muita música brasileira gravada em hebraico, até discos ou CDs inteiros disso e músicas que verdadeiramente fizeram sucesso por aqui.

Esse aqui é um disco inteiro feito com músicas brasileiras em hebraico, gravado em 1978 (vídeo 1 - lado A e Vídeo 2 - Lado B):

Lado A:
 Músicas:
1. The Group - Pais Tropical (Jorge Ben)
2. The Group - Let's Go Back (Folk)
3. The Group - Como E Duro Trabalhar (Vinicus De Moraes - Toquinho)
4. Yorik Ben David And The Group - Fio Maravilha (Jorge Ben)
5. Tsila Dagan And The Group - Voce Abusou (Antonio Carlos - Jocafi) 
6. Matti Caspi And The Group 0 Casa De Bamba (Jair Rodrigues) 
7.The Group - The Guitarist (Folk)


Lado B:

Músicas:
1. The Group - Sonho De Um Carnaval (Chico Buarque De Hollanda)
2. Matti Caspi And The Group - Felicidade (From "orfeo Negro")
3. Yosi Churri And the Group - Canta Canta (Martinho Da Vila)
4. Korin Alal - Tomara (Ojala)
5. The Group - Canto De Ubiranta (Folk)
6. The Parvarim - A Lua E A Mulata (Jair Rodrigues)
7. Matti Caspi And Yehudit Ravitz - Samba Em Preludio (Vinicus De Moraes) 


As músicas são todas executadas por cantores israelenses, nada desse negócio de um brasileiro que veio aqui e cantou em hebraico, não.

Águas de Março, em hebraico. Essa eu acho que muita gente já conhece, mas em todo caso:
Existem outras, mas acho que essas são mais relevantes. 

Esse tipo de versão é legal também para que está estudando hebraico, já que a letra é mais ou menos conhecida e você não tem que adaptar o ouvido ao ritmo, funciona bem.


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Clima em Israel em Função da Questão com a Síria

Sabe o que mais me chateia com relação à mídia internacional?

É que eles me obrigam a escrever sobre coisas que não existem (pelo menos não existem ainda!!!).

Não existe clima de guerra nenhum em Israel.

Israel distribui máscara para a população de maneira regular e essa "multidão correndo desesperada para pegar suas máscaras" na verdade (em sua grande maioria) são pessoas que já deveriam ter suas máscaras em casa empoeirando como a minha está há dois anos.

Inclusive eu postei o vídeo da máscara quando eu recebi a minha, basta procurar lá no canal do youtube.

Ninguém disse que seja impossível que Israel entre em guerra com a Síria ou com qualquer país que seja, o que eu digo e repito é, a chance de que algo de verdade venha a acontecer neste país e com a população civil é perto de zero.

Para quem ainda não entendeu, a história de Israel com a Síria é a seguinte:

A Síria vive um clima de caos fazendo uso inclusive de armas químicas contra a população civil e os EUA vão, possivelmente, intervir militarmente lá. O que ocorre é que a Síria ameaça retaliar Israel caso isto de fato aconteça e, como é óbvio Israel irá responder. Em resumo essa é a história.
O grande clima em Israel hoje é de preparação para o Rosh Hashanah, ano novo judaico, que será na semana que vem.

Só para que não reste dúvida, hoje é sexta-feira, início de Shabat, e eu filmei um vídeo aqui na minha rua para vocês verem o "clima de desespero" que está instalando no país. 

Assistam o vídeo, aproveitem e se inscrevam no canal que mais vídeos vem por aí:






sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Vantagens de Se Viver em Israel

Enumerar as vantagens de se viver aqui é com certeza bem mais fácil do que elencar as Desvantagens de se viver em Israel. O difícil neste post é limitar essa lista a poucos itens.

Segurança - Indiscutivelmente a maior e melhor qualidade de Israel. E é meio auto-explicativo. Não tem preço viver e se deslocar para qualquer lugar a qualquer hora do dia ou  da noite, sem risco algum de roubo, assalto, sequestro relâmpago ou qualquer outro tipo de violência. Violência urbana ainda é algo praticamente inexistente em Israel.

Transporte Público de Qualidade - Ônibus e trens limpos, seguros, revisados, pontuais e com internet wi-fi na maioria deles. Precisa algo mais? Impossível não se apaixonar pelo transporte israelense.

Saúde Pública de Qualidade - Outra coisa que dá muita tranquilidade, saber que não importa o que você tenha ou qual sua situação financeira, você será atendido imediatamente, sobretudo em situações de emergência. Não existe falta de vaga, nem material e nem falta de vergonha na cara.

Apesar de ser um setor que vive fazendo reivindicações/greves, uma vez que também tem os seus problemas. A diferença é que problemas na saúde israelense é um médico trabalhando 2 horas a mais do que deveria ou não conseguir marcar uma consulta em 24 horas, não é uma pessoa que infartou e foi transferida 3 vezes e morreu a caminho do quarto hospital porque ninguém quis ou pode atender, nem uma mãe que vê o filho morrer porque o balão de oxigênio está vazio ou porque o CTI do hospital está em obra há 8 meses. Problema é uma questão conceitual, realidade não.

Educação Pública de Qualidade - Quase 100% das escolas de Israel são públicas. As poucas escolas privadas que existem possuem normalmente alguma característica especial, ou são religiosas, ou são para estrangeiros (tipo escola americana), então por razões óbvias as escolas daqui tem qualidade. Nesse quesito não existe filho de deputado, de ministro, de médico ou faxineiro. Todos frequentam as mesmas escolas e têm acesso ao mesmo tipo de educação. E a escola pública é para todos, mesmo para estrangeiros de passagem por aqui, uma vez que as escolas particulares são extremamente caras. Educação é obrigatória em Israel, a partir dos 5 anos.

Qualidade dos Alimentos - Fiscalização super rigorosa em relação a todo alimento produzido dentro e fora de Israel. Uma das coisas mais sérias desse país. Não estou me referindo a fiscalização religiosa (para obtenção/manutenção do cashrut), mas à vigilância sanitária em si.
Uma coisa bastante curiosa em Israel é que nenhum produto dura tanto tempo quanto no Brasil. Os aditivos químicos e conservantes são muito controlados. Carnes e frangos, quando comprados resfriados, não duram mais do que 3 ou 4 dias na geladeira, mesmo se você os congelar em casa.
Claro que enlatados, congelados e ovos duram bastante, mas carnes, laticínios e frios em geral duram bem menos que o padrão.
Os produtos são sempre muito frescos em Israel. Essa foto foi tirada no Aroma Café

Assistência do Governo - Para quem vem da América do Sul (e nesse caso eu não faço exceção a país nenhum) a sensação de estar ou poder ser amparado pelo governo de maneira real no momento em que se perde um emprego ou num momento difícil pelo qual qualquer pessoa pode passar é realmente muito tranquilizador. Sem entrar muito em detalhes, se não teria que escrever umas 15 páginas, Israel possui um seguro desemprego compatível com o seu salário enquanto você estava empregado por alguns meses, uma série de licenças remuneradas e uma aposentadoria digna e compatível com a sua realidade de vida.

Sem falar em cursos de capacitação ou aprimoramento pagos quase em sua totalidade pelo governo e em assistências temporárias a pessoas em situação temporariamente especial, como Olim por exemplo. Não dá para explicar item por item porque tudo é muito caso a caso e depende de uma série de fatores (como tempo em Israel, tempo em que a pessoa ficou trabalhando sem pedir algum auxílio, se possui filhos, idade, nível de escolaridade, quantas pessoas possuem a família, quantas trabalham etc). Mas na média a assistência prestada é de qualidade.

Estabilidade Financeira do País - É fato que Israel já teve seus problemas econômicos, mas há pelo menos 20 anos é um país bastante estável, economicamente seguro e sustentável , tanto assim que em Israel  a tal crise mundial, bateu na trave, passou raspando e foi embora. Atravessamos firme e seguimos de vento em popa.

Facilidade em se Arrumar emprego - E justamente por causa dessa estabilidade financeira, é muito difícil ficar desempregado em Israel, obviamente, desde que você esteja aqui plenamente legalizado ou tenha nacionalidade israelense. E evidentemente, desde que você tenha reais condições de batalhar pelo emprego ao qual você se propõe. Aceite quem você é (suas qualidades e aptidões ou falta delas) e aí sim, não faltará emprego. Em alguma área, seguramente, você irá encontrar.
Para quem tem dúvidas a respeito desse assunto vale a pena dar uma lida no post: Programa de Imigração e trabalho em Israel.

Não Discriminação em Relação a Quem Nasce Fora de Israel - Entendam bem o tópico. Eu não estou dizendo que não exista discriminação de nenhum tipo em Israel, só se eu fosse louca para fazer uma afirmação dessas. O que não existe é discriminação com relação a quem nasceu em outro país e veio para cá porque tem nacionalidade israelense (ou ao menos direito a ela). Essa pessoa, por essa razão não enfrentará nenhum tipo de discriminação. Israel é um país construído com as mãos e o suor de quem nasceu fora daqui. A grande prova disso está no nosso atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, que é o primeiro da história nascido em Israel, todos os outros nasceram fora, porém obviamente todos tinham direito natural à cidadania israelense.

Não sejamos hipócritas, discriminação é senso comum. Todo mundo sabe que tipo de gente é mais ou menos discriminada em qualquer lugar do mundo e em Israel isto ocorre da mesma forma e pelas mesmas razões.

Se alguém te olhar torto em Israel é porque você tem alguma característica genética ou comportamental que a pessoa não aprova, ponto final, essa é a história. Porém, em Israel, como na maioria dos países civilizados, discriminação é crime, é feio, é politicamente incorreto, logo é algo muito velado, muito discreto, e em regra no dia a dia não se percebe nada.

Nenhum país é perfeito, Israel também não é. Mas sinceramente e apesar de tudo, eu acho que se aproxima bastante da perfeição em termos de qualidade de vida e do que se espera de um país.

Update: Para as pessoas com problemas severos de interpretação de texto:
O Netanyahu foi o primeiro primeiro-ministro a nascer após a criação do Estado de Israel, já que ele nasceu em 1949. Os outros que porventura nasceram na região que hoje é Israel, durante o então Mandato Britânico na Palestina ou ainda durante o Império Turco-Otomano foram pessoas  que nasceram com outras nacionalidades, mas como eu disse acima, tinham direito natural à cidadania israelense (obviamente, depois da criação do Estado de Israel em 1948)..

Dizer que estas pessoas só porque nasceram na região da Palestina eram israelenses é o mesmo que afirmar que os índios tupi-guarani nascidos em 1200, no território que hoje é o Brasil, já eram brasileiros. Por favor, né?

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Desvantagens de Se Viver em Israel

Mais um post desses meio complicados de se fazer, tendo em vista que não dá para fugir do fato de que esse tipo de assunto esbarra e muito no meu ponto vista.

Tanto nesse post quanto no post a respeito das Vantagens de Se Viver em Israel eu não pretendo esgotar o assunto, apenas dar uma visão geral da vida por aqui e deixar claro que a maior parte das "desvantagens" de se viver em Israel se resumem apenas em adaptação, não são propriamente problemas do país.

Custo de Vida Elevado - É difícil falar em custo de vida como um todo, primeiro porque se se estabelecer uma comparação com o Brasil por exemplo, Israel,na média, é mais barato e segundo porque custo de vida é algo muito pessoal, mas é fato que embora os salários acompanhem, o custo de vida em Israel vem subindo nos últimos tempos. Outra coisa que pesa no bolso da gente por aqui é o imposto de renda (מס הכנסה), cujo percentual vai mudando de acordo com o salário, podendo variar de 10% a 50% dependendo do valor do seu salário.

Comércio Fecha Cedo em Israel - Isso não é uma característica só de Israel, mas também da maioria dos países europeus. Infelizmente nós que viemos da América do Sul somos muito mal acostumados com comércios funcionando até 22:00h ou mais quase todos os dias, sem falar nos inúmeros estabelecimentos 24 horas. Não vou dizer que não exista isso em Israel, existe, mas é uma raridade. Eu confesso que eu senti muito isso no começo. Principalmente porque nós tínhamos o péssimo hábito de ir ao supermercado a 1:00 da manhã no Rio de Janeiro. Aqui supermercado vai normalmente até às 20:00 e fim da história.

Shabbat - Eu já disse e repeti muitas vezes aqui que o fato de no Shabbat fechar e parar tudo, inclusive transportes, é algo que eu realmente não gosto em Israel e essa foi uma das razões de eu ter vindo morar no norte, porém eu confesso que hoje isso é algo que já não me incomoda muito. Não vou dizer que ache bom, mas não acho mais nada (primeiro passo para daqui uns dois anos estar achando bom, né? rsrs). De qualquer forma eu já falei sobre isso no post: A Semana Israelense, que foi um dos primeiros posts que eu escrevi, bem lá no comecinho do blog. Tá vendo como a gente se adapta?
Shabbat é um dia mais ou menos assim, na maior parte das cidades israelenses.

Hebraico - Talvez essa seja uma das mais difíceis barreiras a serem transpostas, mas acredite não é impossível. E depois que o hebraico deixa de ser um problema, ele vira seguramente sua maior fonte de orgulho. Eu já falei sobre as dificuldades de se aprender hebraico aqui e sobre como eu aprendi hebraico aqui.

Português perde Proficiência - Isso é uma coisa que eu nunca achei que pudesse acontecer comigo, primeiro porque eu já vinha de uma experiência de morar fora do Brasil, segundo porque a gente tem a falsa ilusão de que porque fomos bem alfabetizados isso será eterno. Pois bem, essa "perda" acontece com todo mundo que se muda para países com idiomas muito diferentes. Você começa a esquecer palavras, nomes de objetos e muitas vezes tem dificuldade para escrever palavras ou construir frases ridiculamente simples. Uma coisa é certa, idiomas estão sempre em transformação, só que no dia a dia não nos damos conta disso, mas isso fica bastante evidente quando depois de 4 ou 5 meses sem ler nada do Brasil você entra num site de notícias ou assiste um programa da TV brasileira, você sofre bastante até conseguir "pegar a conexão" de novo.  Aliás, esse foi um dos motivos que me fez fazer esse blog, colocar obrigatoriamente meu português escrito em prática.

Jeito do Israelense se Comportar - Já falei sobre isso inúmeras vezes aqui no blog e ainda acho que esse é um dos fatores que mais leva à desistência de se permanecer em Israel. Porém, sobre isso eu falei exaustivamente no post: Israelense, O Povo mais Mal Educado do Mundo?

Israel é um País Muito Calmo e Pequeno - Israel é disparado um dos países mais tranquilos do mundo para se viver, o que é uma faca de dois gumes, pois ao passo que isso se reflete em segurança e tranquilidade também se reflete numa vida noturna não muita agitada. É claro e óbvio que tem todo tipo de estabelecimento de entretenimento (bar, boite, shows, cinemas, teatros etc), só que a noite israelense, em regra, termina cedo, mesmo no fim de semana, e segundo, por ser um país pequeno, as ruas e os lugares não tem a agitação e a super lotação que geram aquele famoso "clima de sábado à noite". Na minha opinião, a noite israelense é meio em slow motion, falta adrenalina. Então, para quem vem para Israel atrás de balada, claro que tem e claro que você vai encontrar muitas e em vários estilos, mas não espere nada parecido com o que se vê no Brasil ou na maior parte dos países sul-americanos.

Adaptação à Alimentação - A comida israelense padrão é a comida árabe com um toque mediterrâneo (leia-se humus, falafel, shawarma e muta salada) e eu sei que muita gente acha isso bom e de fato é, por uma ou duas semanas é muito bom, depois você passa por todas as fases normais em períodos de adaptação alimentar: repulsa, negação, ódio, necessidade de aprender a cozinhar o que você gosta e desprezo por tudo que é daqui, aí vem um breve período de serenidade e por fim aceitação e apreço. A verdade é que a gente passa a gostar de quase tudo, até do que achava ruim mesmo, é só uma questão de tempo. Se você não gosta é porque não está aqui tempo suficiente. E com relação à comida só tem dois caminhos ou passa a gostar ou vai embora de Israel e  não adianta dizer que adora comida árabe, que para você não será problema, será sim!!! More aqui 1 ano, depois a gente conversa.

Sirene - A primeira vez que você ouve uma sirene, principalmente se ninguém te diz o que fazer nessas circunstâncias é meio assustador, mas logo você percebe que a sirene tem apenas um impacto psicológico. E três coisas que precisam ser levadas em consideração: Primeiro, isso não é algo que se escute toda hora (dependendo da cidade se ouve um pouco mais, dependendo da cidade não se ouve nunca), segundo ouvir uma sirene é prova inequívoca de que você está protegido e não de que você está em risco e terceiro conta-se nos dedos as vezes em que alguma coisa de fato aconteceu em território israelense. Só para constar, já faz 3 anos que não ouço uma sirene (salvo as sirenes anuais de treinamento, mas essas não contam.), simplesmente porque não acontece nada por aqui.

E só para finalizar, por favor, não saiam por aí repetindo a estupidez e a idiotice de que Israel é um país em conflito, não é!!! Israel pode vir a entrar em guerra um dia? Até pode, assim como a Coréia do Norte com a Coréia do Sul também podem, assim como na época da guerra fria os EUA o e a ex-URSS também poderiam, o que diga-se de passagem nunca aconteceu. E ainda que Israel entre novamente em conflito algum dia a chance de que verdadeiramente isso afete a vida e a saúde dos civis israelenses é muito pequena. Então só para ficar claro, eu não elenco a possibilidade de uma guerra como uma desvantagem de se viver em Israel, simplesmente porque essa possibilidade é absurdamente perto de zero, certo?

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Coisas Estranhas Também Acontecem em Israel

Eu não costumo compartilhar notícias de jornal, mas acho que essa vale pelo inusitado da sittuação.

Ontem, 07/08/13, repentinamente 41 maquinistas ficaram doentes e não foram trabalhar. A "estranha e súbita" doença praticamente paralisou o transporte ferroviário no país.

Israel não depende exclusivamente do trem, ao contrário os ônibus ainda fazem a maior parte do transporte de passageiros,  porém não é desprezível a quantidade de pessoas que conta com os trens para se locomover todos os dias.

Levantou-se todas as possibilidades para essa pouco usual falta coletiva ao trabalho, falaram até que poderia ser por causa de uma determinada partida de futebol que aconteceria ontem.

Mas ao que tudo indica é uma espécie de greve não autorizada ou não programada pelo sindicato. O que eles estão chamando de "greve italiana". Só em Israel e talvez na Itália que os caras fazem uma greve, mas fingem que é outra coisa. rsrs

De fato não é de hoje que eles reclamam das condições de trabalho proposta pela nova administração e do regime de trabalho ao qual estão sendo submetidos.

Para ler a notícia clique aqui ou na foto
 E bem, seja como for a justiça já determinou a volta deles ao trabalho hoje. Os que possuem atestado médico continuarão em casa de licença-médica, os demais deverão retornar ao trabalho hoje à tarde. Vamos ver!!!

*As duas notícias que eu compartilhei estão em hebraico porque não encontrei em inglês, se alguém achar essa notícia em algum outro idioma que não o hebraico, só mandar o link que eu coloco aqui como update. Mas a maioria das pessoas usa tradutor eletrônico para inglês, então não faz diferença usar para ler em hebraico, né? rsrs.



sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Síndromes da Imigração

É fato que existem síndromes oriundas da imigração e como não poderia deixar de ser, sendo Israel um país constituído basicamente por imigrantes, aqui estas síndromes são muito mais exacerbadas e perceptíveis.

Longe de mim escrever um artigo técnico de psicologia, para ler algo mais técnico ou a opinião de um psicólogo, por favor visitem o Tio Google.

Porém, meus anos longe do Brasil me capacitam para escrever sobre aquilo que eu sou capaz de observar.

E uma coisa que não se pode negar é que em todo processo de imigração em paralelo com toda a possibilidade de aprender coisas novas e de adquirir novos hábitos e conceitos também existe o sério risco de se adquirir novas manias e novas "loucuras".

Eu sei que loucura nada mais é que aquilo que a gente supõe que não seja normal e é aí que mora o perigo, porque o fato de estar longe do país onde você nasceu e que portanto reconhece como normal, faz com que se aceite como normalidade tudo que o outro país te apresenta.

Para mim, existem duas "manias" extremamente sérias que atingem uma parcela muito alta dos imigrantes, não apenas em Israel, mas aqui com certeza isso é muito presente que são: o hábito de "catar lixo" e a "amnésia" da imigração.

1- O hábito de "catar lixo".

Isso é tão presente no cotidiano do Israelense, que a maior parte das pessoas deixa objetos ou móveis que não querem mais próximos aos latões de lixo, porém sem descartarem na lixeira.Supostamente isso  é considerado doação. E acreditem, a maior parte das coisas não ficam lá por muitas horas, roupa então às vezes não chega a ficar mais do que alguns minutos.

E não, não são pessoas pobres que pegam essas coisas, são pessoas que trabalham com você, que têm um salário igual ao seu, que muitas vezes pagam um aluguel mais caro que o seu, que tem um iphone, um tablet e o que mais me entristece, é ver brasileiros fazendo isso e achando normal.

Gente, isso nada mais é do carência afetiva, não é por dinheiro. Uma caneca em Israel custa de 5 a 10 shekels em qualquer supermercado e você vê todos os dias pessoas pegando esse tipo de coisa ou batendo na casa do vizinho para perguntar se quer porque ela vai jogar fora. Sem falar que Israel é o país da promoção e é possível comprar quase tudo super barato, só esperar a oportunidade certa (mas, escrevo sobre isso em outro post)

Há uns anos atrás eu vi uma reportagem sobre brasileiros no Japão que afirmava que os japoneses jogavam as coisas fora quase novas e os brasileiros que lá estavam, pegavam essas coisas dizendo que não havia necessidade de descartá-las. Na época eu achei que podia ser, hoje eu sei que isso nada mais era do que Síndrome da Imigração.

Acreditem em 3 coisas, catar lixo não é normal, se está lá é porque está podre de velho, porque israelense só descarta uma coisa quando ela já pertence a outra era e o mais importante, uma caneca velha não vai suprir suas carências emocionais.

A foto é do armário, não é do gato, tá?

Se alguém disser que a camisa está nova eu juro que xingo. rsrs

Como disse uma brasileira, só lavar que o ursinho fica novo.
2- "Amnésia" da Imigração:

E uma outra coisa que ocorre super frequentemente é a pessoa esquecer como é o país dela de origem. Tudo bem que isso é bem menos grave, mas é super frequente pessoas que estão alguns poucos anos fora começarem a enaltecer o Brasil, afirmarem categoricamente que a saúde publica não é tão ruim, que a violência urbana é um exagero, sentem uma falta louca de comer feijão, mas no Brasil comiam a cada 4 anos, sem falar que em Israel tem feijão e sem esquecer de mencionar que vivem por aí agarrados numa bandeira do Brasil. Depois disso começa aquela ladainha ridícula do cheiro do Brasil é diferente, o gosto água é diferente, a cor do céu, enfim é a Suíça pintada de ouro.

E com esse papo de "As aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá" é que ao retornar para o Brasil a maioria descobre a "Síndrome do Regresso", que nada mais é que o choque de descobrir que o Brasil não é uma Aldeia Smurf e que todos os motivos que levaram a pessoa a pensar em emigrar continuam existindo lá.

Portanto, ao imigrar tentem se manter em equilíbrio, porque uma coisa é certa, uma vez que você tenha passado pela experiência da imigração, você nunca mais será o mesmo, tudo muda, você muda, não existe voltar para lugar nenhum, existe imigrar novamente e se readaptar novamente, ainda que seja ao seu país de origem.


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Administração Pública Israelense

Não é de hoje que eu falo aqui no blog sobre o conceito de "cidadania comunitária" (essa expressão existe?) que o israelense tem.

Talvez por Israel ser um país pequeno, talvez por ser um país construído em cima de ideias comunitárias que são (ou ao menos foram) os kibbutz, faz parte da cultura israelense os eventos com ar de "da comunidade".

Isso se revela em muitas características e atitudes do israelense e eu vou falar sobre isso em outros posts, mas uma coisa que chama atenção é a forma como prefeitos e prefeituras prestam contas a seus cidadãos.

Em todas (ou quase todas) as cidades de Israel existem eventos semanais, mensais, por estação do ano ou até anuais e grande parte disso é promovido pela administração municipal.

Isso inclui de tudo, desde peças de teatro, shows de músicas (muitas vezes com grandes nomes da música israelense), até cursos, esportes e danças fornecidos a baixo custo (ou de graça) pelas prefeituras.

E a forma das prefeituras comunicarem isso, normalmente é através de revistas que chegam até sua casa, normalmente 2 vezes por ano. Geralmente uma com eventos de verão, outra de inverno. Sem contar o "relatório ao cidadão" que todo morador recebe e que fala sobre os gastos da prefeitura, obras na cidade ou na região que irão influir na vida local, novas linhas de ônibus ou novos horários e coisas do gênero.

Para vocês terem uma ideia:

Esse é o relatório ao cidadão 2013, chegou em abril: Esse vem em hebraico e russo, mas também existe a versão em árabe. Na verdade, o idioma é definido quando você se registra nos correios. Eu já falei sobre isso em algum post, mas não custa repetir, em Israel quando você muda de cidade, você precisa alterar seu endereço na identidade e se registrar no correio mais próximo da sua casa.


E essa é uma das revistas da estação, no caso a de verão, que chegou na semana passada, a de inverno sofreu mordidas felinas e não iria ficar muito bonita no post. rsrs

E tirando isso, sempre chega alguma coisa pelo correio, enviado pela prefeitura ou mais raramente pelo governo federal:

Páginas amarelas a menor é a de Nazareth Ilit e a grande da Região Norte, que é a minha região.
 E essa chegou quando tivemos, no ano passado, aquela ameaça de conflito com Gaza. Explica o que fazer em caso de emergência, o mapa abaixo mostra quanto tempo você tem para se abrigar depois do toque da sirene (o que varia de região para região) e também fala de outras coisas, como proceder em caso de terremoto, fornece números de emergência esse tipo de coisa.

Caixa de correio em Israel é isso, pode abrir que sempre tem uma novidade lá, além de contas para pagar, é óbvio.

E antes que alguém pergunte, sim, em Israel tem terremoto!!! não é frequente e nem costuma ser forte, mas não é impossível que você venha a sentir um terremoto por aqui. Nos anos que eu estou aqui, senti apenas um, bem fraco e rápido, coisa de 3 segundos, como foi meu segundo terremoto, não deu nem para rolar uma emoção. rsrs.


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Uma Tradição Construída Sobre Vinhos

Muito pouca gente sabe, mas é praticamente impossível dissociar a história da humanidade do surgimento e consumo do vinho. Para muitas civilizações o vinho é um claro marco de civilização, comunhão e devoção.
Não há religião antiga em que não se faça menção ao vinho e o judaísmo não é exceção.

Supostamente os vinhos apareceram primeiro aqui pelo Oriente Médio ou adjacências. Há uma forte tendência a se acreditar que a palavra hebraica yain (יין) tenha dado origem ao vocábulo vinho na maioria dos idiomas wine em inglês, wein em alemão etc. Pelo menos é o que se diz aqui em Israel.

Os vinhos surgiram provavelmente antes da invenção da escrita, o que é perfeitamente compreensível, afinal de contas primeiro se bebe depois é que se tem histórias para contar, né? rsrs.

Enfim, história à parte, o fato é que Israel produz vinho desde muito antes de se tornar país, as principais vinícolas do país são em sua maioria do final do século XIX e início do XX.

As pessoas têm, não sei porque razão, a ideia de que todo vinho produzido em Israel é doce e destinado ao Kiddush (ritual de consagração religiosa usado por judeus e cristãos), não é nem perto disso.

Apenas 10% dos vinhos israelenses são destinados a isso, o resto é vinho normal e desde o final dos anos 80 figura como um vinho de excelente qualidade no cenário internacional, segundo os especialistas é um vinho comparável, em termos de qualidade aos vinhos californianos.

Então vamos esclarecer as coisas: uma coisa é vinho casher (ou kosher), outra coisa é vinho destinado a Kiddush.



Vinho casher é aquele que atende às normas de cashrut, ou seja, é um vinho que até entrar nos barris é manipulado apenas por pessoas que guardem shabbat e nunca num sábado ou feriado religioso, não é acrescido nenhum tipo de produto animal a estes vinhos (o que faz com que eles sejam muito populares entre os vegetarianos) e todo equipamento ou  material utilizado só pode ser usado em produtos também casher.

Não há nenhuma outra diferença na maneira de fermentar o vinho.

Alguns tipos de vinho produzidos aqui (esses estão entre os melhores do país).
Vinho de kidush é vinho tinto e doce (e obviamente, casher também), normalmente considerado de qualidade inferior (eu gosto, mas sei que para os puristas é considerado ruim).

E engana-se quem pensa que vinho casher só se produz em Israel, grande parte dos vinhos produzidos no mundo é considerada casher. Só que algumas normas para os vinhos produzidos fora de Israel são diferentes, menos rigorosas.

E não, nem todo vinho produzido em Israel é casher. Eu confesso que eu nuca vi vinho israelense que não fosse casher, porém apenas 90% dos vinhos produzidos aqui são casher.

Em Israel há cerca de 250 vinícolas que além de produzirem vinhos, a maior parte delas também é aberta ao publico para degustação de vinhos ou de queijos e vinhos, obviamente mediante pagamento. Não é caro, mas o valor depende dos programas escolhidos.

Um exemplo de como isso é feito:

A Carnel é uma das mais famosas marcas de vinho israelense .


E como o governo incentiva e muito a produção e melhoria da qualidade do vinho nacional, em Israel se produz cerca de 55 milhões de garrafas de vinho por ano, das quais cerca de 38 milhões são destinadas à exportação. Todavia, Israel também importa uma média de 22 milhões de garrafas por ano, apesar do vinho nacional ser considerado muito bom, é forte o consumo de vinho europeu, principalmente espanhol e italiano.

E a grande curiosidade de todos vocês. Vinho é barato em Israel? Sim, vinho é super barato em Israel.

Uma garrafa de vinho de Kiddush fica na faixa de ₪15 a ₪17 shekels (algo como R$ 10,00) e um vinho normal de mesa, tanto nacional como importado fica por volta de ₪30 shekels (aproximadamente R$ 18).

Vinho faz parte da cesta básica do Israelense e barato do jeito que é, impossível não ter em casa, sempre:
A média de consumo de vinho em Israel é de cerca de 8 litros per capita. 


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