sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Você Não Vai Descobrir a Pólvora

No texto anterior, sobre choque cultural eu comecei  a falar sobre isso, mas não me aprofundei, então para que você não seja o próximo a se decepcionar com Israel porque suas incríveis ideias não deram certo, vamos esclarecer alguns pontos:

A primeira de todas as coisas que se precisa entender num processo de imigração, sobretudo para Israel é, as diferenças culturais mudam tudo que você sabe, supõe ou imagina sobre os seres humanos.

Então não é porque você acha uma delícia comer coxinha de frango com catupiry que o mundo inteiro vai achar também. Antes de pensar em implantar coxinha em Israel, tente primeiro saber porque a comida/salgadinho que mais vende em Israel é o falafel. E por que eles são tão apaixonados por Falafel como o brasileiro é por coxinha e pão de queijo.

É só imaginar a situação ao contrário, falafel é uma delícia, mas será que se algum israelense fosse para o Brasil e resolvesse vender falafel sob encomenda ou numa pequena lojinha ou lanchonete isso seria um grande sucesso? Você deixaria de comer pastel ou risole para comer falafel?

E para quem não sabe o que é falafel, é um bolinho frito feito à base de grão de bico. Pois é, descrição tão pouco apetitosa quanto o que é coxinha, um bolinho feito de farinha de trigo com recheio de frango, certo?

Falafel com Humus, o prato nacional de Israel.

Isso sem falar que comida para ser vendida em Israel é conveniente que seja casher e é bem difícil de se regularizar (eu sei que eu estou devendo um post sobre produtos casher, prometo que em breve ele sai).

Então acredite, você só será capaz de avaliar se um produto, qualquer que seja ele, será um bom produto e terá mercado em Israel depois de alguns anos de vivência e entrega total a Israel. Desligue-se do Brasil e tenha humildade para conhecer e compreender Israel, aí sim, depois disso, talvez você possa ter uma ideia nova, com possibilidade de futuro.

E a segunda ideia mirabolante que quase todo mundo tem quando chega em Israel é a de vender produtos israelenses para o Brasil. Até onde eu sei, todo mundo faz o mesmo caminho, vai até os correios, pergunta quanto é o envio para o Brasil, descobre que é barato e vai embora feliz da vida, divulgar suas vendas em blogs, no facebook e sei lá mais aonde.

Vocês acham mesmo que é tão simples assim? chegar num correio perguntar quanto é e sair mandando produtos para o Brasil? Se fosse assim, tudo mundo viajaria para qualquer país do mundo e de lá ficaria enviando produtos para o Brasil, que bagunça legal ia ser o mundo, né? :)

Você pode mandar algumas coisas para o Brasil via correios, mas isso tem limite de preço, de volume e de tipo de produto por mês e por ano. Se você ultrapassar isso, será taxado, não demorará até que isso se configure como exportação e você terá que pagar impostos que não são baratos, fora a dor de cabeça que isso vai te dar.

Se você quer mandar produtos de Israel para o Brasil só existe um caminho, se regularize, abra uma empresa de exportação, ainda que seja pequena, aí sim você não terá problemas, mas para isso seu hebraico tem que estar num nível muito bom.

O segredo de tudo é ter calma e humildade para entender como o país funciona, se não o seu caminho será como o da maioria das pessoas, ter meia dúzia de ideias que todo mundo já teve, perceber que nenhuma funciona e com três meses de Israel comprar sua passagem de volta para o Brasil.

E antes que alguém me pergunte, não eu não tive nenhuma dessas duas ideias incríveis, mas vejo muita gente chegar aqui em busca do pote de ouro no fim do arco-íris e quebrar a cara, os posts não são só sobre o que eu faço, mas também sobre o que eu vejo.



terça-feira, 23 de outubro de 2012

Choque Cultural

Desde que eu cheguei a Israel eu vi muita gente chegar e partir. Eu vejo isso acontecer cada vez mais frequente e velozmente e a verdade é que a grande maioria das pessoas não conseguem permanecer mais do que três meses em Israel. Sim, três meses, não é exagero, nem força de expressão!

Israel é um país extremamente ocidentalizado, onde não existe uma forma rígida de se vestir, nem de se comportar, mas se é assim por que é que as pessoas têm tanta dificuldade de se adaptar a Israel?

Choque cultural, no caso de Israel agravadíssimo pelo hebraico.

O fato de Israel ser super ocidentalizado não significa que não tenha diferenças monumentais, embora também tenha surpreendentes semelhanças com o Brasil, mas o fato é que o igual não salta aos olhos, as diferenças é que gritam e incomodam.

O choque cultural nada mais é do que o confronto dos seus conceitos mentais com conceitos culturais novos (de outro país por exemplo) e como a tendência do ser humano é achar certo o que ele crê a pessoa entra em auto-conflito.

Só que comparar culturas ou conceitos é o grande boicote do já super difícil processo de imigração. Ao se deparar com uma cultura nova ou com uma nova forma de lidar com algo não há que se questionar, há que se tentar entender ou pelo menos encarar como normal. Não é anormal só porque é diferente!

Em questões culturais e comportamentais não existe certo, nem errado, existe o seu modo de pensar e o modo dos outros pensarem.

Eu não vou elencar todas as diferenças e semelhanças, até porque o blog inteiro é sobre isso, basta ler as postagens anteriores.

Mas uma coisa é certa, quanto mais apegado você for a sua cultura e ao seu modo de vida no lugar onde você nasceu e/ou foi criado, maior será o seu choque cultural e mais difícil será a sua adaptação. Aliás, talvez valha à pena ler dois textos que eu escrevi lá no comecinho do blog: Eu Estou Preparado (a) para Viver Fora do Brasil? e Mundo Mix num Mix de Mundos.

Mas se você quer 3 dicas para superar o choque cultural em Israel eu diria:

  1. Aceite que Israel não é o lugar que você criou na sua mente, é apenas um país, com qualidades e defeitos;
  2. Você NÃO vai descobrir a pólvora, então não adianta vir para cá e querer vender açaí ou havaianas aqui, até porque já tem. Acredite o que é bom do Brasil, já tem por aqui e o que não tem é porque ou não tem mercado ou é proibido pelas normas de Israel. O mesmo vale para vender produtos daqui para o Brasil, não é tão simples quanto parece (ok, vou fazer um post sobre isso);
  3. Não odeie o hebraico, ele é necessário e depois que você aprende percebe que é um idioma super gostoso de se usar. Aliás não odeie nada, começar a odiar as diferenças é o primeiro passo do retorno para casa. 




quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Visual Israelense

Muita gente imagina Israel como um país tradicionalista ou até mesmo retrógrado em termos de vestimentas e comportamentos e isso, depois do mito de que Israel é um país que vive em guerra, é com certeza a "lenda urbana" que mais me incomoda.

Claro que existem judeus ortodoxos e muçulmanos ortodoxos (homens e mulheres) que se vestem como tal, mas pessoas religiosas que se vestem para se identificar como tais é uma super pequena parcela da população.

O israelense médio, de modo geral veste qualquer coisa que esteja a fim, sem se preocupar com o que os outros vão pensar, então numa simples volta no quarteirão você pode encontrar desde pessoas com pantufa do Mickey ou dos Smurfs (aliás pantufa é um sapatinho que eles acham ultra adequado para fazer compras!!!), casaco de couro cor de abóbora ou florido até os mais tradicionais que usam calça jeans e camiseta.

Israel é um lugar que você vê de tudo, e o que é o mais legal, ninguém acha estranho, ninguém aponta e para falar a verdade, a maioria acha tudo muito normal. Ninguém se choca porque alguém está usando o cabelo cor de abacate e uma camisa que pede o fim da venda de fetos de elefante em algum país da ásia qualquer (nem sei se realmente se vende esse tipo de coisa por lá, mas as camisas existem).

Israelense em regra, é muito mais adepto de um visual fashion do que tradicional, tanto que muito dificilmente você vê alguém de terno e gravata ou de tailler nas ruas. Os ambientes de trabalho costumam ser bastante informais, mesmo lugares que para nós são tradicionalmente mais formais por aqui não tem a mesma pompa.

E uma coisa que é vista com certa estranheza é alguém estar excessivamente arrumado para ambientes ou situações em que a roupa deveria ser mais "leve". Um erro fatal em Israel, é ir a uma entrevista de emprego vestido de maneira muito formal, acredite, quase com certeza o emprego não será seu.

Por outro lado, essa falta de padrão na maneira de se vestir faz você se sentir mais livre, mais à vontade e mais despreocupado, além de poder tentar encontrar no seu jeito de vestir a sua própria personalidade, uma vez que se acha muito mais variedade de cores e estilos nas lojas.

Então só para ilustrar, uma coletânea de fotos no coração financeiro de Tel Aviv, em Ramat Gan.

Isso provavelmente é o mais próximo de elegância que você verá em Israel.

E aqui, o centro financeiro numa versão religiosa. 




segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Primeiro Emprego em Israel sem Falar Hebraico

Geralmente o primeiro emprego de todo imigrante em Israel é sem falar hebraico e como Israel é um país formado por imigrantes e que continua recebendo massivamente milhares de imigrantes todos os anos, não é  de se admirar que em quase todos os tipos de ambiente se encontre gente trabalhando que não diga uma palavra de hebraico.

Claro que há nichos de trabalho voltado para pessoas de determinadas nacionalidades, como russos, ucranianos e pessoas do leste europeu por exemplo, haja vista existir em Israel um grande número de estabelecimentos comerciais que funcionam basicamente em russo, e são voltados para atender esse tipo de pessoa.

Para quem é de origem latina a coisa funciona de maneira um pouco mais matemática, digamos assim. Ou seja, é possível dividir o tipo de emprego existente para latinos em dois grandes grupos. O daqueles que falam inglês e o dos que não falam inglês.

Se você fala inglês, há uma série de empresas de ambiente internacional em Israel, onde dentro da empresa você se comunicará 100% em inglês e muitas dessas empresas precisam de pessoas que falem português para atender o mercado internacional em serviços de venda e suporte ao cliente em call centers, além de outros tipos de empresas voltadas para o mercado exterior.
Mas para isso, você precisa ter um inglês muito fluente, tanto falado, quanto escrito.

Há também a possibilidade de trabalhar em diversos bares, boates e restaurantes que ficam na região de Tel Aviv e Jerusalém, para esse tipo de emprego o seu inglês não precisa ser tão fluente e também sobra emprego nesse tipo de trabalho.

Agora se você não fala nada de inglês, vão te restar os poucos estabelecimentos voltados para latino ou que tenham grande concentração de latinos, como trabalhar em padarias ou supermercados em algumas cidades de Israel como Ashdod, Ranaana e até Tel Aviv mesmo. Há bastante trabalho também, mas se resume a poucas cidades.

E por fim, e que é o que acontece com a grande maioria dos latinos que chegam a Israel, é adquirir um vocabulário básico em hebraico, bem básico mesmo, e ir trabalhar em fábrica ou fazendo serviços de limpeza. O que também não desmerece ninguém em nada!

Num primeiro momento, títulos e diplomas não vão servir para nada, já que você não fala hebraico, porém se você tem experiência como pintor, pedreiro, marceneiro e coisas afins, há grandes chances de você conseguir trabalhar na sua área tendo apenas um hebraico super básico, o que pode ser adquirido facilmente em um ou dois meses.

Portanto, mais uma vez eu digo, antes de escutar os outros ou viajar em delírios, se auto-avalie e seja muito sincero com você mesmo, porque o emprego que você conseguirá ter em Israel será diretamente proporcional ao nível de comunicação que você será capaz de ter no começo.

Aqui em casa todo mundo trabalha, cada um na sua área. rsrs





quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Por que os Israelenses Comem com as Mãos?

Eu acho que a grande pergunta não é porque os israelenses comem com as mãos, mas sim por que os brasileiros tem tanta aversão a si mesmos, ao próprio corpo e tanta mania de limpeza?

Eu li em algum lugar que o Brasil é o país do mundo que mais consome produtos de limpeza, não lembro onde li isso, mas acredito piamente. A questão não é ser limpo, é ser psicótico. Por que se o Brasil é o país do mundo que mais consome esse tipo de produto, todos os outros países do mundo consomem menos, o que nos faz pensar, será que só o Brasil está certo e o resto do mundo inteirinho está errado?

Na realidade a maioria das pessoas em quase todos os países do mundo utilizam as mãos para comer e em Israel não é diferente. Claro que não se come com as mãos arroz ou macarrão por exemplo, mas aqui tudo que se pode colocar dentro de um pão se coloca, desde falafel e kebab até salada e batata frita. E pizza por exemplo não vem com prato, garfo e faca, vem apenas com um suporte de papelão para você segurar a fatia. Há pizzarias que nem tem talheres e onde tem, na maioria das vezes, são daqueles descartáveis.

Quando se tem a oportunidade de viajar para o exterior, mesmo que seja a passeio, uma coisa que se percebe logo de cara, em quase todos os países é que, em regra, não existem hábitos de higiene tão rígidos quanto no Brasil.

Não significa dizer que os outros povos sejam sujos ou pouco caprichosos com a qualidade ou higiene da comida, muito pelo contrário, a questão é que o conceito de limpeza deles funciona dentro de outros critérios.

Na maior parte do mundo limpeza e sujeira são duas coisas que se distinguem visualmente com extrema facilidade, apenas no Brasil se combate a terrível sujeira invisível de uma bactéria que talvez esteja ali e talvez possa te fazer mal.

Então, se você pretende um dia morar, ou mesmo passar uma temporada no exterior, repense seus critérios de limpeza, até porque nem sempre o que é mais limpo é mais saudável. Como aliás, sabiamente dizia a propaganda do OMO, "porque se sujar faz bem"! :)



segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Paisagens de Israel: Jerusalém em Fotos Menos Óbvias

 Jerusalém é a capital de Israel, portanto não é difícil imaginar que Jerusalém não se resume apenas à cidade velha, certo?

Então, embora mantendo o critério de fotos turísticas, vou tentar colocar fotos menos óbvias que mostram  Israel por outra ótica.

Jerusalém tem uma parte bem nova e moderna como qualquer cidade civilizada do mundo e tem outros pontos históricos que não estão cercados pelos muros da cidade velha.

Um café na estrada antes de chegar em Jerusalém, no meio do nada à moda israelense. rsrs

Abaixo duas Fotos no Bairro de Kiryat Moshe, bairro relativamente central que abriga hotéis e alguns prédios do Governo:


A partir daqui você verá fotos do Bairro Yemin Moshe, que é um bairro histórico, fora da cidade antiga, e é considerada a área mais valorizada de Jerusalém:

Entrada do Bairro Yemin Moshe.

Moinho Construído em 1857.

O moinho tinha por finalidade produzir farinha casher para os moradadores da região.
Algumas fotos das ruas do bairro:




Cidade Velha vista de Kiryat Moshe:




Agora sim, algumas imagens da cidade velha que pouca gente tem ou já viu:

Ao cair da tarde.
Estátua do rei David localizada próximo ao túmulo dele, também  ao cair da tarde. 
Menorah de ouro que fica no quarteirão judaico da cidade velha de Jerusalém, visto  à noite.

Kotel (muro das lamentações) à noite



quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Sucot e Simchat Torah

SUCOT:

Sucot, que em hebraico significa tendas, é um feriado bastante curioso em Israel.
Cerca de 15/20 dias antes do início do Sucot são construídas ou montadas tendas ao ar livre na frente de quase todos os prédios e estabelecimentos comerciais de Israel.

Isso é feito para relembrar o período em que os judeus teriam passado 40 anos no deserto, após a saída do Egito, e claro, por ser uma cerimônia religiosa, faz quem quer, mas na semana do Sucot muita gente de fato dorme a semana inteira nessas tendas, enquanto outras pessoas utilizam apenas para fazer as refeições, por isso também que muitos restaurantes montam essas tendas.

A comemoração do Sucot dura uma semana, mas só o primeiro dia e a véspera são de fato feriados. Assim sendo, este ano o feriado caiu nos dias 30 de setembro (véspera) e 01 de outubro.

Essas fotos são de uma sucá (tenda) construída em Tel Aviv, na frente de um restaurante, no meio do coração financeiro de Israel.




SIMCHAT TORAH

Já o Simchat Torah (se pronuncia Simirrá Torá) ocorre no oitavo dia do Sucot, para os religiosos é o dia em que se termina e se reinicia a leitura anual da Torah. 

Na prática é um feriado normal, sem nenhuma característica muito marcante, a não ser o fato de que este feriado encerra o enorme ciclo de feriados que ocorrem em Israel entre os meses de setembro e outubro.

Este ano, o feriado de Simchat Torah cairá  nos dias 07 de outubro (véspera) e 08 de outubro.

Em cidades mais religiosas como Jerusalém por exemplo, cerca de 90% do comércio fecha a semana inteira desde o início do Sucot até o término do Simchat Torah, mas na maior parte das cidades as coisas funcionam normalmente, fechando apenas nas datas de feriado mesmo.


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Minha Entrevista ao Site Entrevistando Expatriados

O post hoje é diferente, apenas para comunicar a vocês que eu dei uma entrevista para o site Entrevistando Expatriados, a entrevista é sobre questões básicas da vida em Israel, como custo de vida, diferenças culturais e coisas do gênero.

A entrevista ficou bastante interessante e o site também é super legal, deem uma conferida lá!

Entrevistando Expatriados - Israel 

Um grande beijo a todos!


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