quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Fim de Ano em Israel

Acho que esse vai ser o único post que eu vou fazer sobre algo que verdadeiramente não existe. rsrs.

É sério! Israel é um país judaico e constituído em bases judaicas, embora exista liberdade de culto não faz parte da cultura israelense comemorar Natal, nem Ano Novo (ano novo cristão-ocidental).

Claro que Israel possui uma considerável população de origem cristã, além de ter uma forte influência ocidental, o que faz com que o Natal e o Ano Novo façam parte dos noticiários nessa época do ano, mas é só!

Obviamente que aos cristãos é garantido o direito ao seu feriado religioso, como ocorre também com os muçulmanos no Hamadan e em outros feriados religiosos de qualquer religião.

Porém não existe em Israel aquele famoso "clima de fim de ano", correria, compras, festas, fogos, nada disso. O fim do mês de dezembro se dá do mesmo jeito que o fim do mês de abril ou de outubro por exemplo. Nada muda, não é feriado, não tem festa, nada.

Exceção que só se vê nas cidades com população árabe de origem cristã, como Nazaré e Jerusalém, por exemplo, que costumam fazer paradas de Natal e colocar Papais Noéis nas ruas no dia 24, além de enfeitarem lojas e ruas durante todo o mês de dezembro, mas não é feriado.

Apenas os comerciantes de origem cristã não abrem seus comércios nestes dias.

Além disso, por Israel ser um país de imigrantes é comum que muitas famílias, mesmo que de origem judaica comemorem o natal, montem árvores, façam sua festinha na virada do ano (fato que é muito comum, principalmente entre imigrantes russos e latinos), mas é mais ou menos como festejar um aniversário, porque não é feriado e o dia seguinte é dia normal de trabalho/escola.

Então para quem vive me perguntando como é passar o fim de ano em Israel, eu diria que é mais ou menos como passar o Carnaval na Suíça.

Natal é uma coisa tão pouco compreendida em Israel que não são poucos os israelenses que confundem Papai Noel com Jesus Cristo.

Está aí um vídeo gravado em Jerusalém que mostra bem isso (em inglês): A pergunta feita no vídeo é "você acredita em Papai Noel?" Em determinado momento você vê que o próprio repórter não sabe a diferença entre Papai Noel e Jesus Cristo. Não faz parte da cultura israelense, é como se alguém perguntasse no Brasil você acredita na Deusa Lakshimi, em Ganesha ou em Buda? Você pode até já ter ouvido falar, mas provavelmente não sabe muito a respeito.



Mas, como para nós que fomos criados no Ocidente sempre haverá fim de ano e ano novo, este vai ser o último post do ano e eu quero aproveitar para agradecer o carinho de todo mundo comigo e com o blog.

Quando eu decidi fazer esse blog eu esperava 30 ou 40 visualizações por mês (incluindo as minhas rsrs) e na verdade o blog tem uma média de 200 visualizações diárias, cerca de 6 mil por mês.

E com isso, eu conheci muita gente interessante, fiz amigos super legais que eu espero conservar no próximo ano, aprendi muito, consegui ajudar muita gente "perdida" em Israel ou a caminho de se perder por aqui e quase 100% do retorno que eu tenho de vocês é muito positivo. Vocês são minha melhor terapia!!! rsrs.

Assim sendo, eu queria agradecer a todo mundo que passa por aqui, tanto aos que deixam comentários  e sugestões (sempre muito válidas) quanto aos que só leem e não escrevem nada, eu entendo e sei que vocês estão aí e isso já me deixa muito feliz. :)

E podem aguardar que no próximo ano o blog vem com muitas novidades.
Não deixem de curtir a página do blog no Facebook:

Um excelente fim de ano para todo mundo e que 2013 seja um ano incrível para todos nós!!!



quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Paisagens de Israel: Nazaré

Nazaré é a cidade em que Jesus teria passado sua infância e, provavelmente por isso, é a cidade com a maior população cristã de Israel (quase 40% da população) e também por isso uma das poucas cidades de Israel em que se comemora o natal.

Nazaré é a capital da região norte e é considerada também a capital árabe de Israel. E por ser a cidade que eu moro e pela qual eu sou perdidamente apaixonada, fica difícil fazer um post imparcial, sendo assim, vou deixar que as fotos falem por si.

Igreja da Anunciação, com certeza o grande cartão postal de  Nazaré. Prometo um post apenas sobre ela  em outro momento.

Igreja da Anunciação por outro ângulo.

Nazaré consegue ter um super ar de Oriente Médio por um ângulo...
...E um ar de Europa por outro.
Algumas fotos tiradas nas ruas de Nazaré:




Outono/Inverno em Nazaré:
Outono/2012

Outono/2012.

Inverno congelante de 2011.
Foto tirada durante a parada de Natal de 2011. Um dos dias mais frios do ano, se eu não me engano estava - 4ºC.

Fotos do Shopping Big Fashion enfeitado para o Natal:




E para terminar 2 vídeos que eu filmei para o meu irmão e alguns amigos, não foi para o blog, mas quem quiser ver:

O primeiro é o trajeto do Shopping Big Fashion até o meu prédio e o segundo são imagens do Shopping Dodge Center que é um Shopping aberto que fica bem perto da minha casa.










quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Hanukkah

O Hanukkah ou Chanukkah (não importa como escrevam a pronúncia é a mesma "rranucá"), costuma ser traduzido como o Festival das Luzes e, embora essa expressão costume remeter muita gente a ideia de luzes urbanas, esse nome se deve ao fato de que na época da reconstrução do segundo templo (Séc. II A.C.),  só restava um pouco de azeite para iluminar o altar, essa quantidade de azeite bastaria para um único dia e seriam necessários 8 dias para que fosse produzido mais azeite, porém o azeite durou os 8 dias necessários, o que obviamente pela tradição judaica é considerado um milagre e por causa desse milagre, passou a se comemorar essa data.

O Hanukkah não é um feriado, mas é uma festa que dura 8 dias. Na minha opinião é a festa mais alegre e mais bonita da tradição judaica. Algo muito parecido com o nosso natal, onde as famílias se reúnem e não tem muito ar de festa religiosa, apenas de confraternização e descontração.

O Hanukkah costuma ocorrer entre o fim de novembro e o início de dezembro, este ano as comemorações vão de 08 de dezembro a 16 de dezembro.

Durante todos os dias de Hanukkah se acende uma vela num candelabro especial de 9 braços que se chama hanukiah. Todo dia, cumulativamente, se acende uma vela (da direita para esquerda) além da vela que está no lugar mais alto ou maior do candelabro, até que no 8º dia se acendem as 9 velas.

Para ficar mais claro uma foto do nosso Hanukiah no segundo dia do Hanukkah.


O alimento mais típico de Hanukkah é um doce chamado sufganyah, que nada mais é que o nosso sonho, sem nenhuma modificação na massa. A diferença fica mesmo por conta do recheio que se coloca em outra posição e o mais tradicional é o de geléia de frutas vermelhas (normalmente morango, mas pode ser misturado), mas hoje em dia já se encontra de vários sabores, na foto abaixo se pode ver bem isso.


Mas a estrela da festa é mesmo o hanukiah e o Israelense é sempre muito criativo na hora montar o seu. É muito comum nas escolas, quando vai se aproximando a data do Hanukkah as crianças fazerem seus próprios hanukiot (plural de hanukiah), então também faz parte das comemorações de muitas famílias ter um hanukiah diferente ou original em casa.

Alguns exemplos tirados da internet. Alguns foram tirados do site Café Mouse, quem quiser ver mais têm vários outros muito lindos lá. Outros foram tirados de outros sites os quais não me lembro.

Preciso dizer que esse é o meu preferido? rsrs.









Esses são modelos tradicionais:

Esse é da Goldstar que é uma famosa marca de cerveja israelense (muito boa diga-se de passagem) e foi retirada da página deles no facebook.

Esse é de um kibbutz que visitamos recentemente, feito com legumes produzidos lá:

E por fim, esse que eu acho muito emblemático, que está no shopping Big Fashion, aqui em Nazaré, e que junta duas tradições (cristã e judaica) num mesmo espaço. Lembrando que Nazaré é uma cidade de maioria árabe e cristãos em Israel são geralmente árabes.



*Tirando as fotos que tem a marca d'água do blog, portanto são minhas, todas as outras foram retiradas da internet.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Como ser Militar em Israel?

Pelo menos uma vez por semana alguém me escreve me perguntando como é que se faz para entrar para as forças armadas de Israel ou que é preciso para ser militar aqui.

Só existe uma resposta para esta pergunta: Para servir as Forças Armadas de Israel você precisa ser Israelense.

E por favor, entendam uma coisa, ser israelense não quer dizer que você tenha que ter nascido em Israel, quer dizer que você precisa ter cidadania Israelense. Há inúmeros estrangeiro servindo à Tzahal (ou IDF, em inglês), mas todos eles possuem cidadania israelense.

E como é que se consegue cidadania Israelense? Fazendo Aliah para Israel e sobre isso eu já falei aqui.

Felizmente ou infelizmente, todo cidadão Israelense é obrigado a servir as Forças Armadas (3 anos para homens e 2 para mulheres) e se faz um treinamento anual até os 40 anos. O exército de Israel é profissional, não é formado por voluntários, nem por "soldados da fortuna" e também por essa razão, se tem uma coisa que o exército de Israel não tem é carência de gente.

E se você for militar no seu país (Brasil, Portugal, Angola etc) e quiser fazer um intercâmbio aqui, o melhor lugar para você descobrir se isso é possível é procurando dentro da unidade em que você serve.

Existem sim vários intercâmbios para militares, inclusive via ONU, mas definitivamente eu não conheço maiores detalhes a respeito disso.

A única coisa que eu posso dizer é que vir por intercâmbio não te fará um soldado/militar israelense, te fará apenas um soldado ou militar em missão ou intercâmbio em Israel.

Símbolo das Forças Armadas de Israel

Para quem não conhece esse é o Oxford, meu gato e garoto propaganda do blog.



segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Paisagens de Israel: Tel Aviv

Ao contrário do que muitos pensam, Tel Aviv não é a capital de Israel e nem a maior cidade, ambos os títulos pertencem à Jerusalém.

Mas Tel Aviv é com certeza o coração financeiro de Israel, a cidade mais cara e também a que possui mais contrastes, aliás até por isso, não tem como fazer um post sobre paisagens de Tel Aviv e mostrar todos os seus aspectos de uma vez só.

Então, nesse post vou mostrar alguns takes genéricos ou mais óbvios de Tel Aviv e nos próximos posts  sobre a cidade (sim Tel Aviv precisa de mais de um post) eu mostro ângulos e locais mais específicos.

As primeiras fotos são da região de Yaffo que é a parte antiga da cidade e também a mais árabe, por isso é também a parte de Tel Aviv que tem mais cara de Oriente Médio.

Um dos takes mais tradicionais de Yaffo.

Aqui dá para ver bem o contraste entre o velho e o novo em Tel Aviv.

Torre do Relógio de Yaffo

Marina de Yaffo. 


E estas fotos são fotos de uma região bem central de Tel Aviv, que é a região do Azrieli Center, que é um shopping e que talvez seja um dos ângulos mais fotografados da parte nova da cidade

Essa é a torre do Azrieli, talvez não seja uma foto muito bem batida, mas foi a primeira foto que eu tirei de Tel Aviv quando tinha exatos 4 dias de Israel, então está aí para vocês. rsrs












Azrieli Center visto por dentro.
E aqui, saindo um pouco da região do Azrieli, mas ainda numa região bem central, o Porto de Tel Aviv, onde durante à noite funcionam vários bares e restaurantes


E só para terminar um vídeo em Ramat Gan que é a região mais nobre e o coração financeiro de Tel Aviv.





sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Minha Entrevista à Rede Minas de Televisão

Eu dei uma entrevista ao programa Brasil das Gerais que é transmitido pela Rede Minas, na quarta-feira passada sobre a situação em Israel.

Claro que eu dei uma entrevista de uns 10 minutos e eles colocaram os piores 30 segundos do que eu falei, além de terem dado outro enfoque mas enfim, para quem estiver com saudade de me ver e para quem nunca me viu está aí a oportunidade. rsrs.

Por favor desconsiderem a voz de rádio de pilha porque a entrevista foi dada por skype, a uma hora da manhã horário de Israel e com o meu aquecedor ligado, então o som não é dos melhores. rsrs 


O programa é todo pró-palestina e para quem não quiser ver o vídeo inteiro pode colocar no minuto 11:40 que é quando ela me chama.






E apenas para que não chovam perguntas nesse sentido, sim eu sou favorável à criação do Estado da Palestina, mas definitivamente não há razão para que eu fale sobre isso no blog.

Um super abraço para todo mundo e mais uma vez muito obrigada pelo carinho que vocês têm comigo e com o blog. O blog existe apenas para tentar ajudar e esclarecer dúvidas, eu não ganho dinheiro com ele, meu único lucro é o feedback incrível que eu tenho de vocês.

Portanto, continuem escrevendo, deixando seus comentários, mandem sugestões e curtam a página no facebook, que é um canal que com certeza nos deixa mais próximos.

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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

As Consequências Apropriadas de um Cessar-Fogo Inapropriado

Algumas horas depois do meu último post foi assinado o acordo de cessar-fogo entre Israel e a Faixa de Gaza.

O cessar-fogo entrou em vigor oficialmente às nove da noite do dia 21, e nas duas horas subsequentes à entrada em vigor oficial do cessar-fogo Israel foi alvejado mais 12 vezes. Uma das centenas de reportagens a respeito disso você pode ver aqui. (em inglês). E que fique claro, Israel não revidou, nem respondeu de nenhuma forma estas agressões. Obviamente porque Israel assinou e está obrigado a cumprir o acordo, certo?

Infelizmente o Oriente Médio funciona como se os países árabes fossem crianças pequenas e mimadas e Israel fosse o Irmão mais velho, o que não pode errar, o que precisa dar exemplo, aquele que por ser maior sabe ou aprende a relevar a inconsequência dos demais. Como em brincadeiras infantis, as crianças pequenas são "café com leite" e sabendo que as regras das brincadeiras não valem para elas, se aproveitam para fazer o que querem e quando são contrariadas, gritam, choram e fazem seu escandaloso show contando sempre com a conivência daqueles que julgam mais fácil ceder que educar, ou pior ludibriar que enfrentar.

E cá estamos nós, diante de um cessar-fogo sem ética e sem lógica que vende ao mundo uma falsa sensação de paz e presenteia a nós Israelenses com o adiamento de um conflito inevitável e com a possibilidade de surgimento de atentados terroristas no país (coisa que já não acontecia há tempos) já que agora nossos "monstrinhos de estimação" estão se sentindo mais fortes e mais amados pelo mundo.

Agora eles acreditam que qualquer atentado terrorista que façam será visto como uma forma de protesto plenamente justificável, vamos apenas esperar que eles tenham tempo de se reorganizar e aguardar as consequências deste incrível acordo, aliás diga-se de passagem mediado pelos americanos, aqueles que não tem a menor noção do que seja Oriente Médio e que menos ainda entendem o que é paz.

Pausar um problema não significa solucioná-lo, mas seguramente servirá para dar ao mundo tempo para esquecer e ao Hamas, a oportunidade de adquirir gás novo e se rearmar e quando após inúmeras novas outras agressões Israel voltar a atacar, será Israel que terá rompido o acordo de cessar-fogo, não é assim?

Mas no momento, a vida voltou ao normal, até porque na realidade na maior parte do país (a exceção da região sul) a vida nunca deixou de ser normal, nada mudou, como eu já disse outras vezes aqui no blog, ainda que Israel entre em guerra a única coisa que mudará é que aumentarão as chances de que você escute uma sirene ou outra, mas em regra a vida segue como sempre foi. E mesmo em áreas afetadas a capacidade de recuperação é muito rápida, questão de horas, às vezes de minutos.

E a verdade é a seguinte, em 8 dias de conflito foram 1500 foguetes lançados contra Israel, o que resultou em 4 civis e 2 militares mortos e alguns poucos feridos, não sei o número exato, mas não foram muitos, além do que, também é preciso levar em consideração que Israel considera como feridos pessoas que são hospitalizadas em crise nervosa. Definitivamente estes não são números de um país violento e muito menos de um país em situação de guerra.

E passada a ressaca pós fim de conflito, o assunto que domina os telejornais são as eleições que irão ocorrer em 19 de janeiro de 2013 e sobre as quais eu falarei nos próximos posts.


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O Atual Conflito Israel-Faixa de Gaza

Hoje dia 21 de novembro de 2012 o conflito entra no seu oitavo dia, mas como não tem sentido eu falar de hoje sem falar do início, vamos voltar um pouquinho no tempo.

Honestamente, não me é possível afirmar quando Gaza começou a lançar foguetes contra Israel, simplesmente porque isso acontece diariamente, não há um dia que isso não aconteça. Ocorre que, em primeiríssimo lugar o sistema de defesa de Israel (Kipat Barzel ou Iron Dome) é muito bom e em segundo lugar uma grande parte cai em área desabitada.

Então, primeiramente um vídeo para mostrar como funciona o Kipat Barzel (ou Iron Dome em inglês):

O vídeo é amador, mas dá para notar bem o momento de medo/preocupação e em seguida um momento de comemoração pelo Iron Dome ter funcionado bem. E dá para ouvir bem a sirene também.

 O Sistema de defesa de Israel para esse tipo de situação funciona assim, tocam as sirenes e as pessoas têm cerca de 60 segundos para se proteger/abrigar, nesse meio tempo o Iron Dome tenta "apagar" os foguetes que entram em seu território, uma parte das vezes é bem sucedido, outras vezes deixa passar porque calcula que cairá em área desabitada e, vez por outra falha mesmo e os foguetes passam, aí o resultado é esse: 

Esse foguete matou 3 pessoas da mesma família e deixou um bebê gravemente ferido.

De um modo geral, Israel convive bem com isso, a região sul do país é a mais afetada, ainda assim se leva uma vida normal por lá, sem maiores preocupações no dia a dia. 

Porém, no mês passado Gaza intensificou o lançamento de foguetes para Israel e as pessoas da região sul tinham que passar quase todas as noites em abrigos. 

Assim sendo, Israel fez uma ofensiva ultra-precisa à Gaza e matou o Ahmed Ja'abari, que era o chefe militar do Hamas e até onde se diz, segundo homem mais importante no comando e controle de Gaza. Entre outras coisas, ele foi responsável por liderar o Hamas na expulsão do Fatah de Gaza, traindo seus próprios irmãos palestinos, e também pelo sequestro do soldado israelense Gilad Shalit, que ficou sequestrado 5 anos e que depois de longa negociação voltou para casa este ano. Diga-se de passagem, ele foi libertado em troca de mais de mil terroristas que cumpriam pena em em prisões israelenses.

Claro que após a morte de Ja'abari não era segredo para ninguém que um conflito mais grave ocorreria. 

E desde então Gaza tem atacado fortemente Israel e obviamente, Israel contra-ataca, não tão pesadamente quanto poderia, uma vez que Israel é um país administrado por pessoas de bem e não por um grupo terrorista. Tanto assim, que 15 minutos antes de cada ataque Israel lança panfletos em Gaza pedindo que as pessoas se afastem das regiões-alvo. 

Isso é feito única e exclusivamente com o intuito de proteger os civis palestinos, mas claro que as pessoas têm a opção de permanecer onde estão e isso as torna vítimas, não de Israel, mas da lavagem cerebral que sofrem do Hamas. 

A população civil palestina é vitima diariamente do regime terrorista sob o qual vivem, que na realidade não as controla apenas pela força do medo, mas também e principalmente pelo poder da "propaganda alienante" e induz seu povo e o que é pior, suas crianças a se tornarem escudos humanos voluntários. É o mesmo tipo de lavagem cerebral/indução mental que sofrem os homens-bomba. 

Do lado de cá, Israel é fortemente pressionado a fazer um acordo de cessar-fogo, e o nosso primeiro ministro deseja ardentemente que isso ocorra, não porque ele é uma boa pessoa, mas  porque lamentavelmente ele está muito mais preocupado em ser político e fazer política do que em ser um Estadista e fazer história e não se pode desprezar o fato de que estamos em período eleitoral e como uma guerra deverá adiar as eleições (previstas para ocorrerem em 19/01/2013), ele está fazendo tudo para que a situação se apazigue logo.

Ontem à noite, no sétimo dia do conflito, onde em função de várias reuniões que ocorreram no Egito com a presença de membros da ONU e da Hilary Clinton, como mediadora, além de vários membros do governo de Israel e de representantes do Hamas, e depois de tudo que foi oferecido ao Hamas, inclusive reconhecer este grupo terrorista como liderança política de Gaza e a abertura dos portos, que eles tanto reivindicam. 

Com tudo isso, o Hamas mandou dizer que não, muito obrigado, mas essa noite eles ainda tinham mais uns foguetinhos para lançar. Ainda mais agora que os foguetes chegam a Tel Aviv e a coisa deve estar ficando mais divertida para esses doentes.

Dormimos com o Hamas nos mandando passear no bosque e acordamos com um atentado terrorista com as bençãos do Hamas (palavras deles). Explodiram um ônibus, deixaram 17 feridos, sendo 3 graves, no centro de Tel Aviv.

Ainda não estamos em guerra, estamos numa situação de grave conflito com Gaza, e claro que ninguém deseja uma guerra, mas infelizmente "a guerra é necessária para a manutenção da paz". (Sun Tzu - A Arte da Guerra).







domingo, 18 de novembro de 2012

A Quem Pertence a Faixa de Gaza?

Para entender essa pergunta e qualquer conflito que aconteça em Israel é preciso entender um pouquinho a história.

No fim da primeira guerra mundial existia um enorme território no Oriente médio, onde vários povos coabitavam, mas não existia um país, existiam cidades, regiões e tribos, mas nada que tivesse uma administração de caráter nacional. Entre esses povos viviam judeus e árabes-palestinos.

Antes da primeira guerra esses territórios eram "geridos" pelo então Império Turco-Otomano.

Com a derrota do Império Turco-Otomano no fim da primeira-guerra, a Grã-Bretanha, apoiada por questões políticas da época decidiu administrar essa região e a essa administração se deu o nome de Mandato Britânico na Palestina.

A finalidade dessa administração, teoricamente, era preparar aqueles povos para serem independentes e conseguirem gerir seus territórios na condição de Estados.
E foi justamente a Grã-Bretanha com o apoio da Liga das Nações que criou o projeto de dois Estados, um Judaico e um Palestino, nessa região.

A verdade é que a divisão dos Estados, num primeiro momento desagradou tanto judeus, quanto árabes. Vale ressaltar que grande parte do território que integraria o Estado de Israel foi comprada por Judeus de seus antigos donos, tanto na época do Império Turco-Otomano, quanto dos próprios árabes, já durante o Mandato Britânico na Palestina.

Em 1947, após o fim da segunda-guerra mundial que devastou e enfraqueceu o povo judeu, a Grã-Bretanha solicitou à ONU a partilha formal da região em dois Estados, um judeu e um palestino.

Nesse momento, antes mesmo da criação dos Estados a liga-árabe declarou guerra aos judeus que viviam na região, assim sendo, mesmo não tendo gostado da partilha e mais uma vez pressionados por uma guerra, os judeus, representados pela Agência Judaica aceitaram o plano de criação do Estado de Israel.

Alguns meses depois, em 14 de Maio de 1948 foi declarada a independência do Estado de Israel. O Estado da Palestina não aconteceu simplesmente porque os árabes não aceitaram.
Todavia, no dia seguinte teve início a primeira guerra árabe-israelense, declarada pelos Estados Árabes ao recém-criado Estado de Israel.

Assim sendo, durante a Primeira Guerra Árabe-Israelense muitos palestinos se refugiaram na Faixa de Gaza que era uma região que naquele momento não pertencia a nenhum país, mas que possuía uma considerável população nativa de origem palestina.

A primeira guerra Árabe-Israelense começou em 1948 e terminou em 1949 já com as fronteiras alteradas, já que Israel venceu a guerra e na condição de país podia então anexar os territórios que ocupava e dominava, como fazem todos os países do mundo em situação de guerra. Também durante esta guerra a Faixa de Gaza foi ocupada pelo Egito que passou então a controlá-la e a Jordânia ocupou a Cisjordânia. Na verdade essa guerra alteraria toda a configuração do Oriente Médio para sempre.

Em 1967, com o aumento das tensões na região, eclodiu a chamada Guerra dos 6 Dias e foi durante esse conflito e com o único objetivo de defender seu território, uma vez que Israel tinha todas as suas fronteiras cercadas por países árabes com uma força militar muito maior que a sua, Israel, sem opção, ocupou a Faixa de Gaza e as Colinas de Golã com o objetivo de cercar as unidades egípcias. Sendo assim, o que parecia bastante improvável, devido as condições extremamente adversas aconteceu, e mais uma vez Israel venceu a guerra, por isso manteve o controle dos territórios que ocupou.

Em 1993, Israel e a OLP (Organização para a Libertação da Palestina), que reivindicava a Faixa de Gaza, assinaram o Acordo de Paz de Oslo, que criou a ANP (Autoridade Nacional Palestina) e deu aos palestinos uma administração semi-autônoma de seu território.

O acordo de paz não foi cumprido, mas a Faixa de Gaza foi devolvida.

Israel se retirou e a ANP administrou a Faixa de gaza até 2005, quando por meio de um conflito armado interno, o Grupo Radical Hamas expulsou o Fattah da Faixa de Gaza.

Hoje o Hamas controla a Faixa de Gaza e o Fatah a Palestina.

Sobre a relação Israel, Palestina e Faixa de Gaza eu já falei aqui

Como o próximo post será sobre o atual conflito Israel-Faixa de Gaza seria até irresponsável da minha parte não mostrar um pouco a questão histórica.




terça-feira, 13 de novembro de 2012

Dicas sobre Israel

Todos os dias quando eu abro a minha caixa de e-mail eu me deparo com pelo menos um que me pergunta:
"Você pode me dar dicas sobre Israel"?
-Claro! Leia o Blog! O blog é sobre "dicas" da vida em Israel.

Eu respondo e-mail, mensagem, adiciono no facebook, não tem problema, mas por favor, antes de enviar a sua pergunta dê uma pesquisada no blog e se for muito chato pesquisar o blog, pelo menos formule uma pergunta porque definitivamente, "me dê dicas" não é uma pergunta.

Mas, como eu sou muito legal, eu vou aproveitar esse post para responder as 10 perguntas que eu mais recebo:

  1.  Meu bisavô era judeu, eu sou judeu? Não, eu já expliquei esses critérios aqui.
  2. Se eu provar que sou judeu por teste de DNA, consigo imigrar para Israel? Não, o processo de imigração para Israel é documental, não é científico.
  3. Como eu faço para estudar em Israel? A mesma coisa que você faria para estudar em qualquer país do mundo. Decida que curso quer fazer, escolha a faculdade ou instituição, entre em contato com eles, veja os procedimentos deles e depois vá até o consulado ou embaixada de Israel e solicite seu visto de estudo.
  4. Posso trabalhar com visto de estudo? Não, você só pode trabalhar com visto de trabalho ou de residência. Página do consulado de Israel sobre vistos. 
  5. Em Israel se fala mesmo hebraico? Juro que nem tenho vontade de responder essa pergunta. Sim, é óbvio que em Israel se fala hebraico.
  6. Existe faculdade em Inglês em Israel? Sim existe, não são todos os cursos, mas existe muita coisa e sim em regra são mais caros que os cursos normais em hebraico. 
  7. Como eu consigo uma bolsa para estudar em Israel? Entre em contato com as universidades israelenses e veja se você está apto a pleitear uma bolsa. A maior parte das faculdades têm sites em inglês basta procurar. E lamento, mas se você não tiver inglês para fazer uma buscazinha na internet, também não terá para levar o curso ou solicitar uma bolsa. 
  8. Israel dá alojamento para estudantes? Não sei, acredito que não, mas só a instituição de ensino que você escolher vai poder te responder isso.
  9. Como é a questão da água em Israel? Também já falei sobre isso aqui.
  10. Em Israel tem emprego para brasileiros? Olha, especificamente um programa que dê empregos para brasileiros eu não conheço, em Israel tem empregos para pessoas qualificadas, se você tem alguma qualificação ou aptidão tente encontrar trabalho em Israel baseado nos seus conhecimentos, não na sua nacionalidade.
Como essas são as dúvidas mais frequentes acho que deve mesmo ajudar muita gente e poupar o trabalho de todos nós.



sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Israel, Palestina e Faixa Gaza

Embora eu ache extremamente desnecessário falar sobre isso, já que isso nem de longe tem a ver com a ideia de viver em Israel, sei que é preciso esclarecer alguns pontos, principalmente para aqueles que se imaginam especialistas em Oriente Médio sem jamais ter saído do Brasil.
Senhores esse post é para vocês!

Vamos começar diferenciando no mapa, Israel, Palestina e Faixa de Gaza.


Então para ficar bem fácil, as duas áreas em verde mostradas pelas setas são a Palestina e a Faixa de Gaza, Israel é a área do meio em cor de areia, até aqui ficou claro, né?

A Palestina fica a mais ou menos 60 km de distância da Faixa de Gaza. A relação de Israel com a Palestina é relativamente boa, tendo em vista que cerca de 100 mil palestinos têm visto de trabalho em Israel. 

Visto de trabalho? Sim, todos os dias cerca de 100 mil pessoas saem da Palestina para trabalhar em Israel, a grande maioria na região de Jerusalém, que é a área de fronteira entre os dois territórios. 

Já a Faixa de Gaza é um outro território, teoricamente deveria pertencer à Palestina, mas hoje a Faixa de Gaza é independente e tem administração própria distinta da Palestina. A Palestina é controlada pelo Fatah e a Faixa de Gaza é controlada pelo grupo radical Hamas. Tanto o líder palestino, como o da Faixa de Gaza foram eleitos em votação direta, escolhido por seus respectivos habitantes.

Não existe nenhum tipo de relação entre Israel e a Faixa de Gaza e, para dizer a verdade, também não existe relação entre a autoridade palestina e o grupo que governa a Faixa de Gaza. 

A única semelhança entre eles é que tanto na Palestina, quanto na Faixa de Gaza o povo é de origem palestina, como aliás também são os árabes-israelenses (em sua grande maioria).

E apenas para esclarecer, árabes-israelenses, são cidadãos de origem árabe e nacionalidade israelense que vivem em Israel com todos os direitos e obrigações de qualquer cidadão israelense, a convivência entre árabes-israelenses (católicos e muçulmanos) e israelenses judeus é plena e pacífica em todo o território de Israel.

E para que não reste dúvida, nem Israel e nem a Palestina são lugares onde se vive em guerra. Gaza sim é um local de instabilidade, afinal é governada por um grupo terrorista. Gaza constantemente atira foguetes contra Israel, a grande maioria Israel detecta e destrói ainda no ar ou permite que caia em áreas desabitadas. Mas claro é inegável que vez por outra um foguete atinge regiões habitadas, na maioria das vezes sem causar grandes danos, a não ser o dano psicológico. Porém sobre o sistema de defesa israelense eu vou falar num post à parte. 

E sim, Israel responde aos ataques, mas jamais em tempo algum Israel atacou ou atacaria Gaza sem primeiro ter sido atacado. E na minha opinião Israel é uma mãe, excepcionalmente paciente, pois poderia agir com muito mais rigor do que age.

E só para ilustrar uma foto da Palestina e uma de Gaza:


Nabulus-Palestina

Faixa de Gaza - A região toda tem 360 km².
*Essas imagens estão no meu computador há muito tempo, por isso não tenho como dar o crédito, se alguém souber, por favor me informe.



segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Paisagens de Israel: Mar da Galileia e Tiberias

Tibérias é uma cidade considerada importante para cristãos e judeus.

Para os judeus é considerada uma das quatro cidades sagradas do judaísmo (as outras são Tzfat, Hebron e Jerusalém) e, por isso é uma cidade de grande concentração de judeus ortodoxos.

Já para os cristãos é um local de relevância histórico-religiosa, pois é em Tibérias que estão localizadas as ruínas da sinagoga que Jesus frequentava, de Cafarnaum, onde Jesus teria realizado vários milagres e também da casa de Pedro. Além do Mar da Galileia sobre o qual Jesus teria andado.

Todavia, apesar da temática religiosa vinculada à cidade, Tibérias é uma cidade viva, que se localiza às margens do Mar da Galileia, que na verdade é um lago de água doce e que vive basicamente do intenso turismo não só religioso, como também voltado a esportes aquáticos e relacionados às propriedades terapêuticas do clima da região.

Algumas Fotos do Centro de Tibérias:




Uma das primeiras vistas que se tem do Mar da Galileia ao chegar em Tibérias. 
Esse "mapa" do mar da Galileia, na verdade é um medidor que indica o nível de água no momento.

Em Tibérias quase todas as praias são pagas, o que alíás é uma prática comum em Israel, assim como na maior parte dos países da Europa.


As fotos abaixo são da praia que fica dentro do Parque aquático Hof Gai. Por ser um parque aquático de um lado tem a praia e do outro tem piscinas alimentadas pela própria água do mar da Galileia.


Alguns tobogãs do parque.


Praia no mar da Galileia vista de dentro do parque aquático Hof Gai.




Também fizemos um vídeo curtinho do Mar da Galileia, durante um passeio de barco:



O Rio Jordão também passa em Tibérias, porém sobre ele eu falei num post específico: Rio Jordão
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